Uberlândia, Quinta-feira, 1 de outubro de 2026
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Ilha de árvores percorre lago no Canadá e intriga especialistas

Formação flutuante de quase um hectare foi levada pelo vento e pode ter se soltado após a elevação do nível do reservatório.

Ilha de árvores percorre lago no Canadá e intriga especialistas
Foto: Rocky Avery/Facebook

Uma formação flutuante coberta por árvores chamou a atenção no lago de Williston, no norte da Colúmbia Britânica, no Canadá. Com área próxima de um hectare, a estrutura apareceu, deixou de ser localizada por satélites e depois foi encontrada novamente em outro ponto do reservatório.

A ilha tem vegetação densa e aparentemente saudável. Não há indicação de que tenha sido construída por seres humanos, e sua origem ainda não foi determinada. Rocky Avery, morador da região, recebeu imagens feitas por um navegador e as publicou nas redes sociais. Ele disse à CBC que, em 40 anos vivendo no Canadá, nunca tinha visto algo parecido.

A própria B.C. Hydro, empresa responsável pela administração da barragem W.A.C. Bennett e do lago, inicialmente tratou as imagens com cautela. Bob Gammer, porta-voz da companhia, afirmou que a disseminação de vídeos produzidos por inteligência artificial exige atenção antes que registros publicados na internet sejam considerados autênticos.

O deslocamento da formação

Imagens de satélite confirmaram a existência da ilha. Um registro de 21 de julho a posicionou a cerca de 100 quilômetros a oeste da barragem. A B.C. Hydro calculou que a estrutura tinha aproximadamente 70 por 140 metros, ou cerca de 9.800 metros quadrados.

Em 5 de agosto, a formação não aparecia mais nas imagens. Durante algum tempo, não se sabia se havia afundado ou se tinha alcançado uma área protegida junto à margem. No fim de agosto, a empresa informou que a ilha havia encalhado na entrada norte do braço de Ospika, aproximadamente 30 quilômetros distante do ponto em que havia sido identificada antes.

Finlay Farquhar, residente do Reino Unido ligado à engenharia de rádio, acompanhou o deslocamento por iniciativa própria e encontrou a nova posição com ferramentas públicas de imagens de satélite. Para Gammer, o movimento provavelmente foi provocado pelo vento. A correnteza, naquele trecho do reservatório, segue muito lentamente em direção à barragem e não explicaria sozinha o percurso.

Como a ilha pode ter surgido

Uma hipótese relaciona a formação aos níveis excepcionalmente altos da água. Depois de um inverno com muita neve e de um verão chuvoso, o reservatório alcançou sua capacidade máxima pela primeira vez em 14 anos. A B.C. Hydro precisou abrir os vertedouros em junho e julho.

Gammer considera possível que restos de árvores e outros materiais tenham se acumulado, ao longo do tempo, em uma área protegida. Essa base teria sustentado o crescimento de vegetação até que a elevação incomum da água desprendesse a estrutura da margem.

O geólogo John Clague, da Universidade Simon Fraser, também apontou a erosão das margens como um fator de instabilidade. Ventos fortes podem formar ondas e afetar árvores próximas à costa. Natalie Kramer Anderson, pesquisadora da National Geographic especializada em acúmulos de troncos e madeira, explicou que grandes depósitos desse tipo podem permanecer estáveis por décadas e sustentar nova vegetação.

Para a ecóloga marinha Rebecca Helm, da Universidade de Georgetown, ilhas semelhantes talvez fossem mais frequentes antes de mudanças provocadas pela atividade humana nos processos naturais. “Esta ilha parece mais um velho fantasma do que um novo fenômeno”, afirmou Helm à National Geographic.

Há registros de formações parecidas em outras regiões. Em Wisconsin, nos Estados Unidos, a Forty Acre Bog muda de posição e precisa ser deslocada todos os anos para não derivar até uma ponte. No Lago Vitória, na África, estruturas desse tipo podem dificultar a navegação e afetar infraestruturas hidrelétricas.

A B.C. Hydro continua acompanhando novas imagens de satélite e possíveis avisos da população, mas não considera necessárias medidas drásticas. Gammer recomendou que curiosos se aproximem de barco, façam fotos ou usem drones, sem tentar pisar na ilha.

Texto produzido pela Redação Olhar Plural com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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