A quantidade de água que chegará aos rios durante o degelo ainda não pode ser calculada apenas pela extensão da neve acumulada na Cordilheira dos Andes. Na Região de Coquimbo, no Chile, a superfície coberta superou 10 mil km² em agosto de 2026 — praticamente o dobro da média histórica registrada entre 2002 e 2025, de cerca de 5 mil km².
O levantamento foi realizado pelo Centro de Estudos Avançados em Zonas Áridas (CEAZA), com base no processamento de imagens do sensor MODIS. A medição considera a área coberta, mas não informa sozinha quanto de água está armazenado nas montanhas.
Para estimar esse volume, é necessário levar em conta o equivalente em água, cálculo que considera características como a profundidade e a densidade da neve. Por isso, uma extensão maior registrada por satélites não permite determinar automaticamente o volume que será liberado para os rios.
Degelo e riscos nas áreas de montanha
O processo de transformação da neve em água líquida já começou no lado chileno. O aumento das temperaturas em setembro e a elevação gradual da linha de congelamento devem favorecer a liberação da reserva ao longo da primavera.
A evolução do degelo será acompanhada também por causa da possibilidade de maior necessidade de monitoramento de avalanches, desprendimentos de gelo e quedas de rochas em áreas de montanha e estradas.
Possíveis efeitos na Argentina
A água proveniente do degelo pode aumentar a disponibilidade em regiões abastecidas por rios alimentados pela Cordilheira. Na Argentina, os efeitos podem alcançar especialmente San Juan e a região de Mendoza, com possível reforço nos volumes das bacias dos rios San Juan e Jáchal.
A quantidade efetivamente disponível dependerá da evolução das temperaturas, do ritmo do degelo e do equivalente hídrico da neve acumulada. O cenário ocorre após anos de preocupação com a escassez hídrica na região.


