A turnê Loop, de Ed Sheeran, ficou sem os artistas anunciados para a abertura dos shows norte-americanos depois de uma sequência de manifestações relacionadas à guerra entre Israel e Hamas e ao apoio à Palestina. Macklemore foi retirado da programação, e Finneas, Lukas Graham, Aaron Rowe e a banda Beoga anunciaram que não participarão das apresentações restantes.
As decisões foram comunicadas na última terça-feira, 15, um dia depois de Macklemore publicar um comunicado sobre sua saída. Os músicos que deixaram a turnê mencionaram apoio à Palestina e críticas ao que consideram uma tentativa de silenciar manifestações políticas.
A saída de Macklemore
O episódio que desencadeou a crise ocorreu durante uma apresentação no MetLife Stadium, em Nova Jersey, no dia 4 de setembro. No show, que fazia parte da turnê de Sheeran, Macklemore defendeu a Palestina, pediu “Free Palestine” e afirmou que as pessoas em Gaza e na Cisjordânia não haviam sido esquecidas.
Depois da manifestação, o Conselho Israelense-Americano apresentou uma petição para pedir a retirada do rapper da turnê. A Messina Touring Group, promotora da etapa norte-americana, informou que ele não participaria das datas restantes porque os locais dos próximos shows não permitiriam sua presença no elenco de abertura. De acordo com a empresa, a retirada foi a alternativa para evitar o cancelamento das apresentações.
Macklemore abriria oito dos dez shows restantes da etapa norte-americana, cuja retomada estava prevista para 19 de setembro, na Filadélfia. Na segunda-feira, 14, ele publicou um comunicado sobre a saída e disse que não se considerava vítima das consequências de suas manifestações. Também pediu que a atenção permanecesse voltada aos palestinos.
O rapper mencionou ainda o discurso feito ao lado de Pink no MetLife Stadium e relacionou sua saída às posições sobre a situação na Palestina. Robert Kraft, proprietário do New England Patriots e responsável pelo Gillette Stadium, foi citado por Macklemore entre as pessoas que teriam influenciado a decisão.
Posicionamento de Ed Sheeran
Ed Sheeran afirmou que a retirada de Macklemore não partiu dele. Segundo o cantor, a decisão final foi tomada pelos locais que receberiam os shows e pela promotora da turnê, depois de conversas com representantes dos espaços, produtores e ativistas de lados diferentes do conflito.
Sheeran também disse que tem opiniões pessoais sobre a guerra, mas escolhe não expressá-las publicamente. “Não sou cúmplice”, afirmou, acrescentando que o silêncio não significa falta de posicionamento ou de preocupação.
Efeito sobre os shows no Brasil
A saída de Finneas afeta as apresentações de Ed Sheeran em São Paulo. O músico estava anunciado para abrir os shows da Loop Tour no Nubank Parque, nos dias 5 e 6 de dezembro. Até o momento, não foi divulgado um substituto, e a programação oficial da Eventim ainda lista Finneas como atração de abertura.
Os shows seguem marcados para as datas previstas. Os ingressos custam entre R$ 220 e R$ 880, conforme o setor e o tipo de entrada, e a venda oficial é feita pela Eventim.
Finneas, irmão de Billie Eilish, declarou que artistas não deveriam ser silenciados por se manifestarem contra a opressão e expressou apoio à Palestina. Aaron Rowe disse que deixar a turnê foi uma decisão difícil por considerar Sheeran um amigo, mas relacionou sua saída à história da Irlanda. Lukas Graham afirmou manter seu carinho pelo cantor e defendeu que artistas possam falar sobre guerras, civis mortos e crianças afetadas por conflitos.
A banda irlandesa Beoga também anunciou a saída e afirmou ser fundadora do movimento Irish Artists For Palestine.


