ARARAQUARA — A fabricante chinesa CRRC prepara a retomada da produção de trens em Araraquara, no interior de São Paulo. A unidade ocupa as antigas instalações da Hyundai Rotem e deverá atender encomendas ligadas à expansão e à renovação do transporte ferroviário paulista.
Em agosto de 2026, máquinas e equipamentos ainda estavam sendo preparados para o início da fabricação. A reocupação da planta aproveita uma estrutura que já havia sido destinada à indústria ferroviária, sem a necessidade de construir uma instalação completamente nova. A iniciativa também está associada ao Polo Tecnológico Ferroviário criado pelo município, voltado ao fortalecimento desse setor na cidade.
Um dos contratos prevê 44 novos trens para o Metrô de São Paulo. Cada composição terá seis carros, totalizando 264 carros destinados às linhas 1-Azul, 2-Verde e 3-Vermelha. A compra está vinculada a um financiamento aprovado anteriormente e não faz parte dos R$ 5,6 bilhões formalizados em março de 2026.
Esse montante corresponde a dois contratos do BNDES com o Governo de São Paulo. Desse total, R$ 3,2 bilhões foram destinados à segunda parcela do aporte público do Trem Intercidades Eixo Norte, enquanto R$ 2,4 bilhões apoiam a expansão da Linha 2-Verde.
O TIC Eixo Norte terá 101 quilômetros entre a Barra Funda, em São Paulo, Jundiaí e Campinas. Os trens expressos foram projetados para alcançar até 140 km/h, com viagem completa estimada em aproximadamente 64 minutos. O projeto inclui ainda o Trem Intermetropolitano entre Jundiaí e Campinas e a modernização da Linha 7-Rubi.
As obras começaram em 2026. Em agosto, havia frentes ativas em Vinhedo, com serviços de terraplenagem e preparação da infraestrutura.
A expansão apoiada pelo financiamento de R$ 2,4 bilhões levará a Linha 2-Verde de Vila Prudente até Penha. O projeto acrescenta 8,3 quilômetros e oito estações, ampliando as possibilidades de conexão com as linhas 3-Vermelha e 11-Coral. De acordo com o BNDES, essa primeira fase deve atender mais de 320 mil passageiros por dia útil.
A combinação entre a nova produção da CRRC, as encomendas do metrô e os projetos ferroviários cria demanda para material rodante e serviços especializados. A continuidade dessa estrutura industrial dependerá de novas encomendas, da manutenção dos projetos e do desenvolvimento de fornecedores locais.


