Chichén Itzá foi estabelecida perto de dois cenotes, cavidades naturais abertas no solo calcário da península de Yucatán. A localização oferecia acesso direto à água subterrânea em uma região onde não havia grandes rios visíveis na superfície.
Segundo a UNESCO, a escolha do local esteve ligada à necessidade de garantir uma fonte confiável de água. A presença de dois cenotes, e não apenas de um, também ampliava a segurança hídrica da população, ao reduzir o risco de ficar sem acesso ao recurso caso uma das fontes apresentasse limitação ou contaminação.
A geologia da península de Yucatán
O calcário da região favorece a infiltração rápida da água da chuva no subsolo. Esse processo dificulta a formação de grandes rios superficiais e faz dos cenotes pontos naturais de acesso aos reservatórios subterrâneos.
As cavidades funcionavam como aberturas entre a superfície e a água armazenada sob a camada de calcário. Com isso, os habitantes de Chichén Itzá podiam coletar água sem depender de cursos d’água superficiais ou da construção de poços profundos e sistemas complexos de captação.
Água e crescimento urbano
O acesso proporcionado pelos dois cenotes ajudou a sustentar Chichén Itzá como um centro maia relevante ao longo de séculos. A disponibilidade de água contribuiu para a manutenção de uma população estável e para o desenvolvimento da infraestrutura monumental que marcou o período de maior importância política e religiosa da cidade.
A proximidade de duas fontes também refletia uma decisão estratégica dos fundadores. Ao identificar uma característica geológica específica e incorporá-la ao planejamento urbano, eles ampliaram as condições para a continuidade do assentamento e de suas atividades construtivas.
Chichén Itzá se tornou uma referência entre os centros maias da península de Yucatán. No caso da cidade, a relação entre a formação do terreno e o acesso à água foi decisiva para sua instalação e para o crescimento urbano ao longo do tempo.


