Uberlândia, Quinta-feira, 1 de outubro de 2026
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Educação

Robótica pode ampliar o pertencimento e a colaboração na escola

Projetos de robótica criam oportunidades de participação, mas exigem equipes inclusivas, mediação dos conflitos e apoio institucional ao professor.

Robótica pode ampliar o pertencimento e a colaboração na escola

Uma bancada com fios, motores, sensores e sucata pode ser mais do que o local de montagem de um protótipo. Quando a atividade é conduzida de forma inclusiva, ela permite que estudantes encontrem diferentes maneiras de participar, aprendam com o erro e reconheçam o valor dos saberes dos colegas. Sem esse cuidado, porém, o projeto pode repetir exclusões já presentes na rotina escolar.

A robótica desloca a aprendizagem para a experimentação. Testar, desmontar, refazer, negociar decisões e dividir tarefas são ações que favorecem a colaboração, mas não garantem, por si só, um ambiente de pertencimento. O professor precisa observar como as equipes funcionam e intervir quando a dinâmica passa a reforçar desigualdades.

Dados da Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar 2024, divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística em 2026, indicam que 27,2% dos estudantes brasileiros de 13 a 17 anos disseram ter sofrido bullying duas ou mais vezes nos 30 dias anteriores à entrevista. Em 2019, eram 23%. A proporção chegou a 30,1% entre as meninas e a 24,3% entre os meninos. No mesmo período, 13,7% afirmaram ter praticado bullying.

A violência também aparece no ambiente digital. Em 2024, 12,7% dos adolescentes relataram ter sofrido bullying nas redes sociais. Entre alunos da rede pública, o percentual foi de 13,4%. As situações podem ocorrer na sala de aula, no recreio, nos grupos de mensagens ou durante uma atividade de robótica.

A composição das equipes também ensina

Durante o trabalho, vale perguntar quem fala, quem decide, quem executa, quem manipula os equipamentos, quem registra as etapas e quem apresenta o resultado. Também é necessário observar quem é ouvido e quem precisa insistir para que uma ideia seja considerada.

O afastamento progressivo de um estudante, a aceitação constante de tarefas menos valorizadas, o silêncio diante do grupo e as faltas justamente nos dias do projeto são sinais que merecem atenção. Brincadeiras repetidas, apelidos, risadas diante do erro, interrupções e comentários sobre aparência, gênero, habilidade, origem ou condição social também podem indicar exclusão.

Nem toda discordância configura bullying. O problema surge quando as atitudes se repetem, humilham ou excluem, fortalecem relações desiguais de poder e provocam sofrimento. A Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura alerta que estudantes vistos como diferentes estão mais sujeitos à rejeição, com possíveis efeitos sobre o pertencimento e o rendimento escolar.

A mediação não exige que o professor controle todas as relações. É possível estabelecer combinados: ninguém precisa saber tudo, todas as ideias devem ser consideradas, as funções precisam ser alternadas e o erro não pode ser motivo de constrangimento. A composição das equipes também deve ser planejada, evitando a repetição dos mesmos grupos.

Um rodízio entre programação, montagem, pesquisa, documentação, comunicação, testes, apresentação e organização dos materiais amplia as possibilidades de contribuição. Quem não se identifica inicialmente com o código ou a mecânica pode participar por meio da pesquisa, do desenho, de entrevistas com a comunidade, da reflexão sobre o impacto social da solução ou da comunicação dos resultados.

O erro como parte do percurso

Essa perspectiva amplia a própria ideia de competência. O estudante que monta mais rápido não é necessariamente aquele que compreende melhor o problema. Uma pergunta feita por quem observava pode transformar o caminho do grupo.

Ambientes seguros não dependem apenas de regras e intervenções. Também precisam permitir que os estudantes experimentem sem medo de ridicularização, comemorem descobertas e reconheçam o esforço dos colegas. Um protótipo que falha pode se transformar em objeto de investigação, e o erro pode ser registrado como parte do processo.

Em vez de perguntar somente se algo funcionou, o professor pode investigar o que o grupo aprendeu com o que não deu certo. Também pode criar momentos para que os estudantes reconheçam quem fez uma boa pergunta, ofereceu ajuda, antecipou um problema ou explicou uma ideia de outra maneira. Esses gestos favorecem a colaboração em lugar da competição.

O acolhimento, contudo, não pode depender exclusivamente da disposição individual do docente. A PeNSE 2024 investigou, pela primeira vez, a oferta de suporte psicológico nas escolas. Apenas 47,7% dos estudantes frequentavam instituições com algum tipo de apoio; na rede pública, o índice era de 45,8%.

O professor também precisa de apoio

Sobrecarga, pressão por resultados e conflitos podem fazer com que o professor sinta que precisa resolver sozinho problemas coletivos. Uma escola acolhedora precisa considerar as condições de trabalho de quem educa e criar espaço para que o docente peça ajuda, compartilhe angústias e discuta estratégias com os colegas.

Também são necessários protocolos claros para situações de violência e exclusão. O professor não deve ser transformado no único responsável pela saúde mental da turma. Redes institucionais de proteção são parte da resposta.

A discussão ganha força em setembro, mas o Setembro Amarelo não deve se limitar a uma ação pontual ou a uma sequência de mensagens sobre saúde mental. Uma atividade de robótica pode abrir conversas sobre pertencimento, cooperação, respeito e a possibilidade de pedir ajuda. Casos de sofrimento intenso, porém, exigem acolhimento responsável e encaminhamento por profissionais preparados.

A robótica não substitui o cuidado especializado. Seu papel pode ser contribuir para uma cultura em que diferentes saberes, ritmos e formas de olhar para o mundo participem de uma mesma construção. A escola não precisa transformar todos os estudantes em especialistas em tecnologia, mas deve garantir que cada um encontre uma forma legítima de participar — assim como os adultos que sustentam os processos de aprendizagem.

Quando isso acontece, a robótica deixa de ser apenas uma ferramenta técnica. Torna-se uma experiência concreta de autoria, empatia e pertencimento, na qual construir máquinas também pode significar construir relações mais humanas.

Texto produzido pela Redação Olhar Plural com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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