Uberlândia, Quinta-feira, 1 de outubro de 2026
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Educação

Uso de chatbots cresce entre estudantes, enquanto proficiência digital segue baixa

PISA 2025 aponta que 48% dos alunos brasileiros usam IA em tarefas escolares, mas apenas 30% atingem o nível mínimo em competências digitais.

Uso de chatbots cresce entre estudantes, enquanto proficiência digital segue baixa

Quase metade dos estudantes brasileiros usa chatbots de inteligência artificial com frequência em atividades escolares, segundo os resultados do PISA 2025, avaliação da OCDE que mede o desempenho de jovens de 15 anos. A proporção chega a 48%, acima da média de 46% registrada entre os países da organização.

O uso ocorre principalmente em pesquisas preliminares sobre novos temas, mencionadas por 40% dos estudantes, no resumo de textos, citado por 31%, e na elaboração de rascunhos, indicada por 27%. Apenas 11% afirmaram nunca ou quase nunca recorrer à IA em atividades escolares.

Essas ferramentas funcionam como assistentes virtuais capazes de interpretar comandos em linguagem natural e produzir respostas organizadas. Ao contrário de uma busca tradicional, em que o estudante precisa consultar diferentes páginas para construir uma síntese, o chatbot oferece uma resposta pronta e contextualizada.

Proficiência digital permanece abaixo da média

Apesar da expansão de políticas nacionais e de leis voltadas à educação digital, apenas 30% dos estudantes brasileiros alcançaram o nível mínimo de proficiência em competências digitais. Na média da OCDE, esse índice foi de 64%.

No resultado geral, o Brasil somou 406 pontos e ficou na 69ª posição entre 91 países. A média da OCDE foi de 500 pontos. Entre os sistemas educacionais com desempenho mais alto estão as regiões participantes da China — Pequim, Xangai, Jiangsu, Zhejiang, Macau e Hong Kong —, além de Singapura, Coreia do Sul, Japão e Taipé Chinês.

A avaliação incluiu desafios práticos de programação, como mover objetos em grades e manipular garras recicladoras. As tarefas exigiam organizar sequências de comandos, utilizar estruturas de repetição e corrigir erros. A pontuação considerou não apenas a solução, mas também a eficiência, a clareza e a capacidade de estruturar o raciocínio.

O PISA 2025 também avaliou a capacidade dos estudantes de analisar conteúdos produzidos por inteligência artificial. A OCDE afirma que a oferta de tecnologia precisa ser acompanhada do ensino de autorregulação e de estratégias de prevenção à desinformação.

Os dados incluem ainda o ambiente escolar: 17% dos alunos brasileiros disseram sofrer bullying e 3% relataram ter sido vítimas de cyberbullying. Os índices estão alinhados às médias internacionais.

Mediação docente e limites ao uso da IA

No Brasil, o Conselho Nacional de Educação determinou que o uso de inteligência artificial nas escolas deve ocorrer com mediação obrigatória dos professores e foco no letramento digital crítico. A orientação prevê atividades planejadas, nas quais os estudantes aprendam a reconhecer viés algorítmico, desinformação e dilemas éticos.

Na média da OCDE, o desempenho caiu em relação a 2022, especialmente em leitura e matemática. França e Noruega também registraram recuo. Os dados, contudo, não permitem estabelecer relação entre as restrições ao uso de IA e os resultados: as medidas são recentes, e o PISA não atribui as mudanças de desempenho à tecnologia.

Na França, desde junho de 2025, crianças do ensino primário devem aprender conhecimentos básicos sobre inteligência artificial sem manipular diretamente ferramentas generativas. O uso pelos próprios alunos é permitido a partir da 4e, aproximadamente equivalente ao 8º ano brasileiro, desde que limitado, explicado e acompanhado por um professor. No ensino médio, o uso autônomo pode ocorrer dentro de um contexto definido pelo docente.

Na Noruega, uma recomendação prevê que, a partir do ano letivo iniciado em 2026, estudantes do 1º ao 7º ano sejam, em regra, impedidos de usar diretamente IA generativa em trabalhos escolares. Do 8º ao 10º ano, a introdução deve ser gradual e cautelosa, depois da formação dos professores. No ensino médio, a orientação é preparar os jovens para usar a tecnologia nos estudos e no trabalho.

Em Nova York, a maior rede pública de ensino dos Estados Unidos estabeleceu para 2026-2027 uma moratória de um ano para ferramentas generativas destinadas diretamente a estudantes da pré-escola ao 8º ano. No ensino médio, o uso fica restrito a programas aprovados, avaliados e acompanhados por educadores. Os companion chatbots foram proibidos em todas as séries.

Na Itália, a principal restrição está relacionada à proteção de menores diante de chatbots, e não a uma proibição nacional da inteligência artificial nas escolas. Em julho de 2026, a autoridade italiana de proteção de dados sancionou a Character.AI por problemas relacionados, entre outros pontos, à proteção de menores e à verificação de idade.

Para apoiar educadores, o Ministério da Educação oferece, por meio da plataforma AVAMEC, cursos gratuitos de formação continuada sobre inteligência artificial na educação.

Texto produzido pela Redação Olhar Plural com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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