A violência entre mulheres pode aparecer em comentários sobre o corpo, a roupa ou a idade, em ataques virtuais, na exclusão de grupos de WhatsApp e em fofocas espalhadas para prejudicar alguém. O conjunto dessas práticas ganhou o nome de wollying, termo formado pela junção de woman e bullying.
O conceito se refere ao bullying praticado por uma mulher contra outra e tem sido associado sobretudo a garotas jovens. A agressão nem sempre se apresenta de maneira explícita: pode surgir como uma crítica repetida disfarçada de conselho, um elogio acompanhado de indireta ou uma observação feita sob a aparência de preocupação. No ambiente digital, esse comportamento pode alcançar mais pessoas e permanecer circulando por mais tempo.
Quando a comparação organiza as relações
Wollying não é sinônimo de qualquer divergência. Discordar e competir de maneira saudável fazem parte da convivência humana. A situação muda quando a intenção deixa de ser dialogar e passa a desqualificar, isolar ou enfraquecer outra pessoa.
O fenômeno é apresentado como contrário à sororidade, entendida como união e empatia entre mulheres. Também pode causar danos psicológicos, embora nem sempre seja reconhecido como uma forma de violência.
A comparação entre mulheres tem raízes em questões culturais. Durante séculos, elas disputaram espaços escassos, com pouco poder e reconhecimento. A aprovação social também ficou ligada à ideia de parecer mais bonita, mais jovem ou mais perfeita do que outra mulher. Nas redes sociais, essa lógica se intensificou e começa ainda na adolescência.
A exposição contínua da vida alheia facilita a comparação entre corpos, relacionamentos e viagens. A busca por exposição e engajamento pode ampliar inclusive publicações feitas para xingar ou desqualificar outra menina, favorecidas pela dinâmica dos algoritmos.
Reconhecer para interromper o ciclo
O município de São Paulo instituiu o Dia de Conscientização e Combate ao Wollying e Sororidade entre as Mulheres, celebrado em 17 de abril. O tema também foi levado por um grupo de brasileiras à Comissão sobre a Situação da Mulher da Organização das Nações Unidas em março.
Reconhecer os padrões que colocam mulheres umas contra as outras é parte do enfrentamento à violência contra as mulheres. Identificar essas armadilhas, muitas vezes naturalizadas, pode ajudar a romper esse ciclo.


