Uberlândia, Quinta-feira, 1 de outubro de 2026
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‘Vermelho Sangue’ amplia choque entre ciência e ancestralidade em nova temporada

Rodrigo Lombardi e Milhem Cortaz comentam personagens, identidade brasileira e os dilemas da fantasia ambientada no cerrado mineiro.

‘Vermelho Sangue’ amplia choque entre ciência e ancestralidade em nova temporada
Foto: Paulo Belote/Globo/Divulgação

A segunda temporada de Vermelho Sangue coloca em primeiro plano o conflito entre ciência, natureza e ancestralidade no universo fantástico da série do Globoplay. Os dez episódios chegaram ao público na última quinta-feira, 17, com a fictícia Guarambá, no cerrado mineiro, novamente como cenário para a convivência entre humanos e seres sobrenaturais.

Rodrigo Lombardi retorna como Otto, cientista movido pela ambição e envolvido em pesquisas genéticas relacionadas aos lobos-guará. Milhem Cortaz interpreta mais uma vez Martín, pai de Luna e Juan, personagem ligado à natureza e às origens ancestrais dos lobos. A trajetória dos dois se desenvolve em lados distintos de uma disputa que atravessa a nova fase da produção.

Personagens entre dois modos de compreender o mundo

Otto representa o esforço da ciência para investigar e interferir em características dos personagens. A trama acompanha pesquisas que exploram o sangue dos lobos-guará para o desenvolvimento de um sérum, aproximando o fantástico de discussões sobre manipulação genética e os avanços tecnológicos.

Como as duas temporadas foram gravadas simultaneamente, Rodrigo Lombardi afirma que a construção do personagem seguiu uma trajetória definida até o fim da história, sem depender da reação do público à primeira fase. Para o ator, a preparação exigiu mergulhar no universo específico de Otto e encontrar uma forma de tornar compreensível um personagem inserido em uma narrativa de lobisomens e vampiros.

A ambientação também é parte central dessa proposta. Parte das gravações ocorreu no Santuário do Caraça, área de preservação em Minas Gerais conhecida pela presença de lobos-guará. A paisagem brasileira substitui os cenários urbanos frequentemente associados a esse tipo de fantasia e permite que a série construa seu próprio imaginário a partir do território nacional.

“Podemos fazer tudo em qualquer lugar”, afirma Rodrigo Lombardi, ao defender uma narrativa brasileira situada no Santuário do Caraça e centrada em uma personagem que se transforma em lobo-guará. Para o ator, essa escolha representa uma forma de trabalhar o chamado realismo fantástico sem recorrer necessariamente a grandes cidades estrangeiras presentes no imaginário coletivo.

Natureza, família e pertencimento

Martín ocupa a posição oposta à de Otto. Ao reencontrar os filhos, o personagem participa da descoberta das origens de Luna e Juan e atua como elo entre o conhecimento ligado à natureza e a perspectiva científica. Sua relação com o mítico, os deuses e a ancestralidade orienta uma dimensão da história que não busca explicar completamente aquilo que permanece no campo do inexplicável.

Milhem Cortaz vê nesse equilíbrio um dos principais desafios da temporada: abordar ciência e fantasia sem transformar o imaginário em uma explicação didática. A convivência com o ambiente das gravações contribuiu para sua preparação. O ator, que é paulistano, relaciona sua experiência no Cerrado Mineiro à construção de Martín, um homem acostumado à solidão da mata e à observação dos animais.

A presença dos lobos-guará no Santuário do Caraça ofereceu referências para a composição do personagem. O comportamento desconfiado dos animais e a expressão de medo e espanto ajudaram Milhem a imaginar alguém integrado à natureza, habituado à caça e ao isolamento.

A série também vincula pertencimento, família e território. Para Milhem, a compreensão das origens passa pela relação com o país e com suas terras. Nesse sentido, a identidade brasileira não aparece apenas na paisagem, mas também nas relações familiares e na busca por uma ancestralidade capaz de explicar quem são os personagens.

Tecnologia e limites

A segunda temporada usa o conflito entre natureza e ciência para discutir os limites da tecnologia. As pesquisas de Otto encontram paralelo, dentro da narrativa, com preocupações relacionadas à inteligência artificial e à manipulação genética no mundo real. Para Milhem, o desenvolvimento tecnológico pode ajudar, mas também carrega riscos ainda desconhecidos.

Essa incerteza sustenta a tensão da série. As experiências com o sangue dos lobos-guará e as tentativas de alterar características dos personagens introduzem uma pergunta sobre preparo e responsabilidade: até que ponto é possível avançar quando as consequências de uma descoberta ainda não são conhecidas?

O debate permanece ligado ao tom fantástico da produção. Em vez de separar completamente o racional do mítico, Vermelho Sangue aproxima esses campos e faz deles partes de uma mesma narrativa sobre origem, identidade e transformação.

Texto produzido pela Redação Olhar Plural com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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