Uberlândia, Quinta-feira, 1 de outubro de 2026
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Prada faz da saia o eixo de uma coleção com 63 interpretações

Em Milão, Miuccia Prada e Raf Simons apresentaram uma coleção que transforma a saia em parâmetro único para explorar formas, materiais e movimento.

Prada faz da saia o eixo de uma coleção com 63 interpretações

A saia foi o único parâmetro mantido ao longo dos 63 looks da coleção feminina de primavera-verão 2027 da Prada. Apresentado na terça-feira (22), durante a Semana de Moda Italiana, o desfile reuniu mais de 15 modelagens da peça, com mudanças de proporção, construção e material. A criação ficou a cargo de Miuccia Prada e Raf Simons, codiretores da grife italiana.

A escolha retoma uma ideia que atravessa o trabalho de Miuccia: a de uma roupa cotidiana que pode assumir sentidos diferentes conforme o que se constrói ao redor dela. Em uma entrevista de 2006, recuperada por Simons durante o desenvolvimento da coleção, ela comparou a saia à camiseta masculina. Para a estilista, a peça foi “projetada para a liberdade”.

Variações a partir de uma mesma base

O desfile começou com saias retas transpassadas, fixadas por faixas largas de velcro e marcadas por fendas altas. O fechamento, em vez de ser ocultado, permaneceu aparente; em algumas versões, recebeu aplicações de cristais. A partir dessa estrutura, a Prada desenvolveu plissados leves e transparentes, referências ao kilt em lã, saias-lápis com estampas e bordados, além de volumes mais amplos e formas afastadas do corpo.

A variedade também veio dos materiais e do tratamento dado a eles. O Re-Nylon apareceu em construções plissadas. O algodão foi trabalhado para adquirir aparência de couro ou camurça. Cristais desenharam motivos semelhantes a rendas e foram aplicados em fechos e flores. Botões de pressão ganharam dimensões próximas às de joias. O trabalho não se limitou à apresentação de superfícies diferentes: materiais conhecidos foram conduzidos a outras percepções.

A roupa revelada pelo movimento

As sobreposições introduziram uma dimensão variável às peças. Sob saias de aparência rígida, apareciam estampas florais, xadrezes ou camadas em cores contrastantes. Fendas abertas revelavam tecidos que permaneciam escondidos quando o corpo estava parado. Em uma saia de lã cinza, por exemplo, as laterais expunham uma camada violeta estampada com bolinhas.

Esse contraste entre uma primeira impressão mais austera e aquilo que surge durante o movimento se repetiu em boa parte do desfile. A peça mantinha uma aparência enquanto a modelo permanecia imóvel e adquiria outra quando caminhava.

Na parte superior dos looks, a construção era mais direta. Sutiãs e pequenos tops de faixa deixavam grande parte do tronco exposta. Camisas, malhas e casacos apareciam em combinações simples. Em algumas produções, o sutiã era usado por cima da camisa; em outras, casacos compridos cobriam parte da saia e modificavam sua proporção.

As fendas altas e a lingerie aparente colocaram o corpo em evidência, mas a concentração visual permaneceu da cintura para baixo. A repetição da saia, portanto, não produziu uma única silhueta: serviu de base para uma sequência de transformações.

Continuidade na trajetória da Prada

A coleção mantém relação com o raciocínio apresentado no desfile de Outono-Inverno 2026. Na ocasião, 15 modelos atravessaram a passarela, cada uma delas quatro vezes. Com a retirada ou o acréscimo de camadas, um mesmo conjunto de peças se transformou ao longo de 60 saídas.

A proposta anterior trabalhava com tecidos desbotados, bainhas desfiadas, punhos marcados e superfícies desgastadas, sugerindo roupas que já haviam passado por outras histórias. A coleção atual preserva a ideia de recombinar e transformar, mas concentra esse princípio em uma única peça familiar.

Fundada em Milão em 1913 por Mario Prada, avô de Miuccia, a marca assumiu os contornos criativos conhecidos hoje a partir do fim dos anos 1970, quando ela passou a conduzir sua transformação ao lado do marido, Patrizio Bertelli. Desde 2020, Miuccia divide a direção criativa com Raf Simons, com participação igual nos processos de criação e nas decisões da Prada.

Texto produzido pela Redação Olhar Plural com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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