SÃO PAULO — O Masp inaugurou a passagem subterrânea que conecta os edifícios Lina Bo Bardi e Pietro Maria Bardi, permitindo que os visitantes transitem entre o prédio histórico e o anexo sem sair do museu. Aberto oficialmente a partir desta sexta-feira, 11 de setembro, o espaço abriga Pietrolina, mural imersivo concebido por Beatriz Milhazes especialmente para o local.
A obra recebeu o nome em referência a Lina e Pietro Maria Bardi, casal fundador do Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand. A passagem fica sob a Avenida Paulista, entre o concreto, o trânsito e o movimento da via, e foi pensada para oferecer um percurso de contemplação marcado por cores, formas geométricas e elementos reflexivos.
O projeto de Milhazes tem cerca de 98 metros, embora a passagem tenha cerca de 50 metros. A artista ocupa as duas paredes do espaço: uma delas recebe uma pintura de 60 metros, formada por cores vibrantes e diferentes elementos geométricos; na outra, 38 metros de peças douradas e reflexivas acompanham uma parede azul-marinho.
O conceito parte da ideia de um desfile de carnaval. Segundo Beatriz, cada trecho pode funcionar como uma ala, com mudanças de cores, símbolos e formas. O ponto de partida foi um fragmento de Avenida Paulista, trabalho criado para a exposição Beatriz Milhazes: Avenida Paulista e doado ao acervo do Masp em 2020. A mostra permaneceu em cartaz por seis meses e reuniu mais de 170 obras.
“Gostaria que, quando entrassem aqui, conhecessem essa possibilidade de parar, reduzir, se acalmar, poder contemplar”, afirma Beatriz. Nascida, criada e formada no Rio de Janeiro, ela relaciona a obra às duas cidades que considera importantes em sua trajetória: o Rio de Janeiro e São Paulo. O trabalho também incorpora referências ao universo do Jardim Botânico e procura estabelecer um diálogo com o Masp e a Avenida Paulista.
A construção da passagem estava em desenvolvimento desde 2019 e foi conduzida pelo METRO Arquitetos Associados, escritório responsável pelo anexo. Para reduzir os impactos sobre a circulação na avenida, o espaço foi construído de cima para baixo: primeiro, foi feito o teto do túnel; depois, ocorreu a escavação.
A execução exigiu aprovação do Iphan, do Metrô de São Paulo, da CET e da Siurb, além de alterações na infraestrutura de concessionárias de água e esgoto, energia e telefonia. A complexidade do projeto fez com que a abertura ocorresse depois da inauguração do edifício Pietro Maria Bardi, realizada em março de 2025.
A curadora e coordenadora do acervo do Masp, Regina Teixeira de Barros, afirma que o museu prefere chamar o local de passagem, e não de túnel. Para ela, o nome representa o deslocamento entre os dois edifícios e também uma mudança na gestão da instituição.
A curadoria começou há cerca de dois anos, quando o museu decidiu que o espaço deveria cumprir também uma função artística. Adriano Pedrosa, diretor artístico do Masp, iniciou então as conversas com Beatriz. A inauguração encerra o plano de expansão do museu, que dobrou de tamanho com o novo edifício e a concessão do vão livre.
Neste mês de setembro, Flávia Almeida, que era vice-presidente do museu, assumiu a presidência no lugar de Heitor Martins, que permaneceu 12 anos no cargo.


