Uberlândia, Sexta-feira, 2 de outubro de 2026
Ideias, cultura e reportagem
Cultura

Johnny Marr revisita o som dos Smiths e apresenta novo álbum solo

Guitarrista fala sobre a formação musical dos Smiths, o desapego de sua coleção de instrumentos e a vida após a banda.

Johnny Marr revisita o som dos Smiths e apresenta novo álbum solo
Foto: Ross Marino/@The Smiths via Facebook

Johnny Marr, guitarrista e cofundador dos Smiths, recusou uma proposta para uma turnê de reunião da banda e prefere concentrar a atenção em sua carreira solo. O músico também colocou à venda uma coleção de aproximadamente 100 instrumentos e amplificadores, arrecadando cerca de R$ 25 milhões.

A separação entre Marr e Morrissey continua marcada por conflitos. Os dois não se falam desde que fracassaram as conversas para uma possível reunião, em meados de 2008. A banda, fundada em Manchester, durou apenas cinco anos, mas deixou canções como There Is a Light That Never Goes Out, How Soon Is Now? e Heaven Knows I’m Miserable Now. O álbum The Queen Is Dead (1986), gravado também com Andy Rourke e Mike Joyce, é considerado um dos LPs mais importantes do século 20.

Uma despedida de mais de quatro décadas

Marr contou que a venda dos instrumentos foi resultado de uma decisão amadurecida ao longo do tempo. As guitarras haviam acompanhado sua trajetória por mais de 40 anos e também foram usadas em atividades relacionadas ao livro Marr’s Guitars. Segundo o músico, a despedida foi longa, mas os instrumentos que permaneceram com ele são aqueles que pretende utilizar nos novos discos e nos shows.

Na carreira posterior aos Smiths, Marr trabalhou com Talking Heads, Bryan Ferry, Pretenders e Hans Zimmer. Com o compositor, participou da trilha sonora de 007 - Sem Tempo Para Morrer (2021).

O guitarrista está voltado agora para The Age Of Everything, seu quinto álbum de estúdio solo, disponível a partir de 2 de outubro. O trabalho será apresentado em um show único em São Paulo, no mês de novembro.

Informação, envelhecimento e música

O título do disco parte de uma percepção sobre o excesso de informações, opiniões e conteúdos produzidos por inteligência artificial. Marr afirmou que o desafio contemporâneo está em lidar com informações não solicitadas e proteger a própria mente. A meditação, prática que mantém há 35 anos, é uma ferramenta importante nesse processo.

Para ele, envelhecer também alterou o sentido de vitória. Mais do que competir ou alcançar uma posição, vencer significa preservar uma disposição positiva sem se tornar cínico. Marr resumiu essa ideia ao dizer que a vitória é “simplesmente continuar positivo e não se tornar cínico”.

O músico relacionou esse desafio à expansão da revolução digital, que, em sua avaliação, poderá ser vista no futuro como um período de grande importância para a humanidade. Também observou que a circulação contínua de catástrofes e más notícias pode influenciar opiniões políticas e ampliar divisões entre as pessoas.

A reação ao rock dos anos 1970

Ao lembrar o período em que os Smiths foram formados, Marr explicou que se incomodava com o caráter excessivamente masculino que identificava no rock dos anos 1970. Para ele, parte do blues rock havia envelhecido mal, e uma geração de guitarristas ingleses buscava levar a música para uma direção mais moderna.

Entre os músicos citados por Marr estão Will Sergeant, do Echo & the Bunnymen; Billy Duffy, do The Cult; Chris Stein, do Blondie; e Robert Smith, do The Cure. Ele também mencionou Patti Smith e Siouxsie Sioux como referências mais próximas de seus interesses artísticos.

Marr fez uma ressalva ao falar do Led Zeppelin e de Jimmy Page, por quem declarou ter respeito como músico. A crítica era dirigida a artistas que, em sua visão, copiaram determinados elementos da banda e os conduziram a uma direção que considerava inadequada.

O guitarrista rejeitou a ideia de que os Smiths fossem uma banda masculina no sentido tradicional do rock. A mesma percepção, segundo ele, se aplicava ao The Cure e ao Depeche Mode. Seu objetivo, desde o início, era construir uma banda de guitarras capaz de se distinguir pela composição e pelo som.

Hoje, Marr evita tratar a história dos Smiths como uma competição para definir a melhor banda dos anos 1980. Ainda assim, mantém a ambição de oferecer, com seu grupo atual, uma experiência musical de alto nível. “Eu simplesmente quero que, quando as pessoas ouvirem meus discos”, afirmou, reconheçam a melhor música de guitarra que escutaram naquele dia.

Texto produzido pela Redação Olhar Plural com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

Entre na nossa newsletterO melhor da semana, sem spam.