Guilherme Arantes questionou a lógica de segmentação do mercado musical depois de participar, como convidado, do show do Roupa Nova no Palco Sunset do Rock in Rio. A apresentação ocorreu no quarto dia do festival, nesta segunda-feira, 7, e reuniu repertórios associados a públicos diferentes.
Para o cantor e compositor, a aproximação entre os dois trabalhos se explica pela capacidade de atravessar divisões de gênero e aproximar pessoas de várias partes do Brasil. Arantes afirmou que essa circulação entre públicos caracteriza um crossover cultural — expressão usada para descrever a combinação de referências e audiências distintas.
A crítica se voltou especialmente às exigências feitas pelo showbizz. Segundo ele, artistas e bandas são pressionados a se adaptar a nichos e a adotar imagens adequadas às chamadas bolhas do mercado. “Mas isso pode ser um defeito em uma época extremamente gavetística e bolhística”, afirmou.
Arantes também contestou a ideia de que determinados estilos devam permanecer associados a regiões específicas. “Por que não temos um reggae em Goiânia? Ou um axé no Rio Grande do Sul?”, questionou.
Na avaliação do músico, tanto sua carreira quanto a trajetória do Roupa Nova escapam a classificações rígidas. Ele disse que os dois trabalhos funcionam como pontos de ligação entre públicos e resumiu essa posição ao afirmar que é um “amarrador de bolhas”, assim como a banda.


