Na noite de segunda-feira, 7, Gilberto Gil escolheu uma canção de 1969 para abrir sua apresentação no Palco Mundo: Cérebro Eletrônico. Vestido de branco, o cantor retomou a participação em um grande festival depois de encerrar a turnê de despedida Tempo Rei, em março deste ano.
A presença no Rock in Rio também marcou seu retorno ao evento criado em 1985. Aos 84 anos, Gil subiu ao palco com cabelos brancos, voz rouca e o cansaço que reconheceu diante do público. “Talvez seja minha última vez aqui”, afirmou no início do show. Mais tarde, reforçou: “É preciso descansar”.
Memória e emoção no repertório
A apresentação foi atravessada pela relação de Gil com a música brasileira e por imagens de suas raízes exibidas no telão, com arte de Rafael Dragaud, ex-marido de Preta Gil (1974-2025). A emoção se tornou mais evidente durante Super-Homem, A Canção, que levou às lágrimas o intérprete de libras mostrado no telão e parte do público.
A família voltou a cercar o cantor, como havia ocorrido na turnê Tempo Rei. Entre as escolhas da noite estiveram Ovelha Negra, de Rita Lee, e Pro Dia Nascer Feliz, de Cazuza, parceiro musical de Gil. O repertório também incluiu Maracatu Atômico, de Jorge Mautner e Nelson Jacobina, composição dos anos 1970 que ganhou nova leitura com a Nação Zumbi.
Canções conhecidas e um recado final
Gil apresentou sucessos como Palco, Vamos Fugir e Esperando na Janela. Vamos Fugir contou com a participação do baixista Liminha. Antes do encerramento, cantou Divino, Maravilhoso, parceria com Caetano Veloso entregue a Gal Costa em 1968.
A despedida veio com Atrás do Trio Elétrico, também de Caetano. No repertório do show ainda estavam Pela Internet, Andar com Fé, Toda Menina Baiana, Rebel Music e Aquele Abraço. No mesmo dia, o festival recebeu Elton John, 79, que também havia interrompido a aposentadoria para participar do evento.


