SÃO PAULO — O Festival Literário do Museu Judaico de São Paulo terá nove mesas entre 14 e 17 de outubro de 2026, na sede da instituição, na região da Bela Vista. A quinta edição será organizada em torno da pergunta “Uma palavra pode valer mais que mil imagens?”, que desloca o ditado popular para discutir o papel da escrita, da leitura e da transmissão de palavras na construção da memória coletiva judaica.
A programação também marca a estreia do FliMUJinho, dia dedicado à literatura para as infâncias. Com curadoria da jornalista Thais Bilenky, a atividade será realizada em 18 de outubro, sob o tema “e se fosse eu?”, e propõe o exercício da alteridade a partir da perspectiva das crianças. Participam Julia Rettmann, Mariana Poppovic, Ilan Brenman e Hélio Ziskind.
Literatura, religião e memória
Sarah Hurwitz fará a abertura do festival, em conversa mediada por Roberto Simon. Em As a Jew, livro ainda sem edição brasileira e best-seller do New York Times, a escritora narra sua reaproximação do judaísmo. Antes de se dedicar à literatura, Hurwitz foi redatora de discursos de Barack Obama, Michelle Obama e Hillary Clinton.
No dia seguinte, Nora Krug conversa com o quadrinista brasileiro Marcelo D’Salete, com mediação de Gabriela Franco. Autora e ilustradora alemã, Krug escreveu Heimat — Ponderações de uma Alemã Sobre sua Terra e História, publicado pela Quadrinhos na Cia em 2019 e vencedor do National Book Critics Circle Award. Também assinou, em parceria com Timothy Snyder, uma obra em quadrinhos sobre autoritarismo e, em outro trabalho, abordou a guerra da Rússia na Ucrânia. Krug participou da Festa Literária Internacional de Paraty em 2023.
A mesa entre Krug e D’Salete será dedicada às formas de lidar com passados traumáticos, incluindo a escravidão e a Shoá. A conversa parte das investigações da autora sobre o envolvimento de sua família com o nazismo e do trabalho de D’Salete na reconstrução de histórias apagadas da experiência negra no país. O encontro terá apoio do Goethe-Institut.
Outra discussão sobre linguagem e tradição reunirá Rachel Reichhardt e Rodney William, com mediação de Dalia Schneider. A soferet, primeira mulher brasileira a escrever uma Torá, e o babalorixá, antropólogo e escritor, líder da casa de candomblé Ilê Oba Ketu Axé Omi Nlá, colocarão em diálogo elementos das culturas judaica e afro-brasileira.
Afeto, longevidade e diferença
Giovana Madalosso e Hila Blum participarão de uma mesa sobre os limites do amor materno, mediada por Luara Calvi Anic. A escritora israelense e a brasileira tratam, em seus romances, de relações marcadas por cuidado, fragilidade, proteção e autonomia. O encontro terá apoio do Instituto Brasil-Israel.
Bernardo Ajzenberg e Valérie Zenatti, com mediação de Gabriela Longman, discutirão literatura, tradução e alteridade. Em uma das obras de Zenatti, uma adolescente israelense e um jovem palestino estabelecem uma troca de cartas. Ajzenberg e Zenatti também refletirão sobre as dificuldades de aproximar experiências, culturas e visões de mundo por meio da linguagem.
A programação inclui ainda o historiador Karl Schurster e o antropólogo Juliano Spyer, que conversarão sobre a transformação de grupos inteiros em imagens simplificadoras e estereótipos. Alexandre da Silva, Secretário Nacional dos Direitos da Pessoa Idosa, e Sharon Sanz Simon abordarão os efeitos individuais e coletivos da longevidade, enquanto Bruna Waitman e Oscar Nakasato tratarão das mudanças associadas ao envelhecimento, das relações familiares e dos lugares reservados aos mais velhos.
O encerramento das mesas do festival terá Mariano Horenstein e Julián Fuks em uma conversa sobre a condição de estrangeiro, a escuta e o deslocamento necessário para compreender outras línguas, culturas e geografias.
Um dia dedicado às crianças
O FliMUJinho começa com Julia Rettmann e Mariana Poppovic, que apresentarão uma atividade sobre bichos estranhos, nojentos e frágeis, combinando texto escrito, oralidade e artes manuais. Ilan Brenman conduzirá uma conversa sobre rituais, memória e laços de afeto. Hélio Ziskind encerrará o dia com uma apresentação musical voltada ao encontro com o outro.
O Museu Judaico de São Paulo fica na Rua Martinho Prado, 128, em São Paulo. A entrada é gratuita, com retirada necessária pelo site. O museu funciona de terça a domingo, das 10 horas às 18 horas, com última entrada às 17h30.


