A partir de 12 de setembro, Eduardo Coimbra apresenta a individual “Abismos Urbanos e o Plano Celeste” na Galeria Lume, com trabalhos inéditos produzidos especialmente para a mostra. A exposição desloca a percepção do visitante ao explorar, de modo simultâneo, a instabilidade do chão e a materialidade do céu.
Nas paredes, grades de “azulejos” desenhadas em fórmica remetem a pisos, corredores e cantos de sala. As perspectivas, porém, não obedecem à geometria perfeita: a composição cria a impressão de que o chão pode ceder a qualquer momento, retirando o visitante de uma posição estável diante do espaço.
Em outra frente da exposição, Coimbra atribui peso às nuvens. Imagens associadas à leveza aparecem sobre placas de ferro e paredes, convertendo o céu em matéria. A operação mantém aberta a interpretação das obras: podem ser nuvens que percorrem as paredes ou frestas por onde se enxerga o mundo exterior.
O texto curatorial também se espalha pelo ambiente, em fragmentos distribuídos pelo espaço, em vez de seguir o formato convencional. Com isso, a mostra mantém o visitante entre duas sensações: a de um chão prestes a ceder e a de um céu que adquire corpo.


