O anúncio de um reajuste de 15% no Bolsa Família não provocou queda imediata no mercado acionário. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva comunicou a medida nesta quinta-feira, 17, às vésperas da eleição. Às 14h18, o Ibovespa avançava 0,48%, cotado a 186 mil pontos.
A expectativa era de que a ampliação de um benefício social pressionasse a percepção sobre o ajuste fiscal das contas públicas e contribuísse para a desvalorização dos ativos negociados na bolsa. Para Matheus Spiess, economista da Empiricus, o desequilíbrio fiscal é prejudicial, mas o principal índice da renda variável brasileira demonstra resistência.
“Assim, objetivamente, o descontrole das contas públicas é prejudicial, sim. Mas o Ibovespa encontra certa resiliência”, afirmou Spiess.
Juros e commodities
Embora o índice acionário tenha subido, a curva de juros incorporou prêmio em diferentes vencimentos. Na prática, isso significa que investidores passaram a exigir uma remuneração maior para emprestar dinheiro em determinados prazos.
Spiess também associou o desempenho do mercado às commodities, que apresentavam bom comportamento financeiro. Ele mencionou ainda uma tentativa de recuperação em bolsas de diferentes praças, depois de um dia de correção no exterior.
O reajuste de benefícios sociais perto de uma eleição já ocorreu em outros momentos. Em 2014, a então presidente Dilma Rousseff autorizou um aumento médio de 10% no Bolsa Família durante a tentativa de reeleição, que foi bem-sucedida.
Em 2022, Jair Bolsonaro elevou o piso do benefício, então chamado Auxílio Brasil, de R$ 400 para R$ 600. Bolsonaro perdeu a eleição para Lula.
Na avaliação de Spiess, a medida atual pode dialogar com eleitores que já costumam se relacionar politicamente com Lula, mas não produz transferência automática de votos. O economista afirmou que o cenário eleitoral apertado pode tornar relevantes mudanças na intenção de voto, embora tenha lembrado que um movimento semelhante feito por Bolsonaro não impediu sua derrota.


