Uberlândia, Quinta-feira, 1 de outubro de 2026
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Fantasia de ‘A Maravilhosa Árvore Encantada’ fica aquém do próprio potencial

Adaptação dos livros de Enid Blyton aposta na imaginação para aproximar uma família das crianças, mas segue caminhos previsíveis.

Fantasia de ‘A Maravilhosa Árvore Encantada’ fica aquém do próprio potencial
Foto: Diamond Films/Divulgação

A Maravilhosa Árvore Encantada tenta reconectar uma família habituada às telas com a natureza, a convivência e a capacidade de imaginar. Adaptado dos livros infantis de Enid Blyton, o filme aposta em cores, criaturas excêntricas e aventuras acessíveis às crianças pequenas. A proposta é clara, mas a fantasia raramente se permite correr riscos compatíveis com o tamanho do universo que apresenta.

Andrew Garfield e Claire Foy interpretam os pais e encontram leveza para sustentar o núcleo familiar. Os cenários são coloridos, os personagens mágicos têm excentricidade suficiente para divertir e as situações mantêm energia. Para espectadores mais jovens, esses elementos podem ser suficientes para conduzir a aventura e apresentar um mundo distante da experiência cotidiana.

Uma fantasia sob controle

O filme evita transformar celulares e tablets em vilões absolutos. Em vez disso, mostra o que pode ser redescoberto quando as crianças se afastam das telas: o contato com a natureza, as brincadeiras, a convivência familiar e a imaginação. Ainda assim, a crítica permanece simples, apoiada na oposição entre tecnologia, de um lado, e natureza e família, de outro.

Essa escolha também limita a narrativa. A árvore mágica transporta os personagens para outros mundos, mas esses lugares funcionam mais como cenários para uma história familiar do que como espaços capazes de modificar radicalmente o rumo da aventura. Há criaturas curiosas, situações divertidas e uma mensagem direta, mas falta a sensação de descoberta que costuma acompanhar uma fantasia capaz de surpreender.

A estrutura segue um caminho conhecido: a família chega a um novo lugar, as crianças encontram um mundo mágico, conhecem criaturas diferentes, enfrentam aventuras e aprendem sobre si mesmas e sobre a importância de permanecerem juntas. O modelo dialoga com uma longa tradição do cinema infantil e com referências presentes no imaginário de Enid Blyton, como Peter Pan, de J.M. Barrie, Alice no País das Maravilhas, de Lewis Carroll, e O Mágico de Oz, de L. Frank Baum.

O problema não está em recorrer a elementos reconhecíveis. Toda fantasia parte de alguma tradição. A questão é a maneira como esses elementos são reinventados. Em A Maravilhosa Árvore Encantada, pouco se transforma. O mundo mágico é simpático e organizado, mas raramente estranho, imprevisível ou ligeiramente assustador. A imaginação parece operar dentro de limites seguros demais.

Uma aventura para os menores

Isso não torna o filme desagradável. O cuidado visual é evidente, o elenco funciona bem e a adaptação reúne componentes capazes de prender a atenção das crianças pequenas. Para quem ainda está descobrindo esse tipo de fantasia, a aventura pode cumprir sua função ao apresentar mundos diferentes, criaturas curiosas e uma defesa direta do convívio familiar.

Para espectadores mais familiarizados com esse percurso, porém, a experiência tende a ser menos estimulante. A produção deseja lembrar que existe um mundo maior do que aquele contido em uma tela, mas acaba limitada por uma narrativa menor do que o potencial de sua própria fantasia.

A árvore leva os personagens a um mundo mágico, mas o filme não parece disposto a seguir por caminhos verdadeiramente desconhecidos. A aventura está presente, assim como a imaginação. O que falta é permitir que ambas avancem um pouco mais.

Texto produzido pela Redação Olhar Plural com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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