A Maravilhosa Árvore Encantada tenta reconectar uma família habituada às telas com a natureza, a convivência e a capacidade de imaginar. Adaptado dos livros infantis de Enid Blyton, o filme aposta em cores, criaturas excêntricas e aventuras acessíveis às crianças pequenas. A proposta é clara, mas a fantasia raramente se permite correr riscos compatíveis com o tamanho do universo que apresenta.
Andrew Garfield e Claire Foy interpretam os pais e encontram leveza para sustentar o núcleo familiar. Os cenários são coloridos, os personagens mágicos têm excentricidade suficiente para divertir e as situações mantêm energia. Para espectadores mais jovens, esses elementos podem ser suficientes para conduzir a aventura e apresentar um mundo distante da experiência cotidiana.
Uma fantasia sob controle
O filme evita transformar celulares e tablets em vilões absolutos. Em vez disso, mostra o que pode ser redescoberto quando as crianças se afastam das telas: o contato com a natureza, as brincadeiras, a convivência familiar e a imaginação. Ainda assim, a crítica permanece simples, apoiada na oposição entre tecnologia, de um lado, e natureza e família, de outro.
Essa escolha também limita a narrativa. A árvore mágica transporta os personagens para outros mundos, mas esses lugares funcionam mais como cenários para uma história familiar do que como espaços capazes de modificar radicalmente o rumo da aventura. Há criaturas curiosas, situações divertidas e uma mensagem direta, mas falta a sensação de descoberta que costuma acompanhar uma fantasia capaz de surpreender.
A estrutura segue um caminho conhecido: a família chega a um novo lugar, as crianças encontram um mundo mágico, conhecem criaturas diferentes, enfrentam aventuras e aprendem sobre si mesmas e sobre a importância de permanecerem juntas. O modelo dialoga com uma longa tradição do cinema infantil e com referências presentes no imaginário de Enid Blyton, como Peter Pan, de J.M. Barrie, Alice no País das Maravilhas, de Lewis Carroll, e O Mágico de Oz, de L. Frank Baum.
O problema não está em recorrer a elementos reconhecíveis. Toda fantasia parte de alguma tradição. A questão é a maneira como esses elementos são reinventados. Em A Maravilhosa Árvore Encantada, pouco se transforma. O mundo mágico é simpático e organizado, mas raramente estranho, imprevisível ou ligeiramente assustador. A imaginação parece operar dentro de limites seguros demais.
Uma aventura para os menores
Isso não torna o filme desagradável. O cuidado visual é evidente, o elenco funciona bem e a adaptação reúne componentes capazes de prender a atenção das crianças pequenas. Para quem ainda está descobrindo esse tipo de fantasia, a aventura pode cumprir sua função ao apresentar mundos diferentes, criaturas curiosas e uma defesa direta do convívio familiar.
Para espectadores mais familiarizados com esse percurso, porém, a experiência tende a ser menos estimulante. A produção deseja lembrar que existe um mundo maior do que aquele contido em uma tela, mas acaba limitada por uma narrativa menor do que o potencial de sua própria fantasia.
A árvore leva os personagens a um mundo mágico, mas o filme não parece disposto a seguir por caminhos verdadeiramente desconhecidos. A aventura está presente, assim como a imaginação. O que falta é permitir que ambas avancem um pouco mais.


