Uberlândia, Quinta-feira, 1 de outubro de 2026
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Em estação isolada, filme transforma investigação de violência em suspense psicológico

Longa de Bruno Safadi acompanha pesquisadora que tenta reconstruir a própria vida enquanto a equipe da base procura o responsável pelo crime.

Em estação isolada, filme transforma investigação de violência em suspense psicológico
Foto: Fabio Rocha/TV Globo/Divulgação

Uma violência sexual ocorrida na primeira noite de isolamento dá início ao conflito de Antártida, novo longa de Bruno Safadi. Presa durante o inverno em uma estação no continente gelado, a pesquisadora Inês precisa lidar com as consequências do crime, com a desconfiança dos colegas e com a investigação conduzida pela subcomandante da base. O filme estreia nesta quinta-feira, 17, nos cinemas brasileiros, depois de abrir o 54º Festival de Cinema de Gramado.

Escrito por Claudia Jouvin, o longa combina suspense psicológico e discussão sobre violência contra a mulher, relações de poder e confiança. A história se passa na fictícia Estação Comandante Diniz, onde pesquisadores e militares permanecem reunidos durante meses, sem possibilidade de deixar o local.

Uma comunidade sob suspeita

Interpretada por Marina Ruy Barbosa, Inês chega à estação disposta a aproveitar a experiência profissional, integrar-se ao grupo e celebrar a oportunidade. Depois de beber com os colegas, ela sofre a violência. A partir desse momento, todos os homens da base passam a ser suspeitos.

A investigação é conduzida por Elisabeth, vivida por Andrea Beltrão, com a ajuda de Marina, personagem de Leandra Leal, e Rose, interpretada por Mariana Sena. A apuração acontece dentro da própria estação, onde vítimas, testemunhas e suspeitos continuam dividindo os mesmos espaços e tarefas.

Para Marina Ruy Barbosa, era importante mostrar Inês antes do trauma, como alguém aberta à convivência e disposta a experimentar a rotina daquele lugar. “Ela não tem com quem falar que ela confie”, afirma a atriz. O isolamento físico da base, assim, também se converte em isolamento emocional: a personagem precisa avaliar em quem pode confiar enquanto tenta compreender o que aconteceu.

A trajetória de Inês não é apresentada como uma reconstrução simples. Conforme a investigação avança, ela começa a encontrar alguma força para olhar o mundo de outra maneira, embora permaneça marcada pela violência.

A Antártida criada em estúdio

As paisagens do filme foram produzidas em um estúdio virtual, sem que a equipe precisasse filmar no continente antártico. Um grande painel de LED reproduziu o ambiente ao redor dos atores. O estúdio tinha cerca de 1,5 mil metros quadrados, enquanto a tela ocupava aproximadamente 300 metros quadrados. Imagens reais da Patagônia foram usadas na composição do cenário digital.

A tecnologia permitiu que a paisagem estivesse presente durante as filmagens, oferecendo referências concretas para os atores e para a câmera. Diferentemente do chroma key tradicional, em que o cenário é acrescentado posteriormente, o ambiente virtual integrava o espaço do set desde a realização das cenas.

Leandra Leal afirma que a preparação foi importante para impedir que o recurso tecnológico tornasse o trabalho rígido. A equipe também precisou construir a dinâmica de uma base militar, na qual cada integrante tem uma função e depende do funcionamento coletivo. As conversas incluíram os temas abordados pelo filme e envolveram também os atores que interpretam os homens da estação.

Personagens sem respostas fáceis

Os personagens masculinos são interpretados por Lázaro Ramos, Gero Camilo e Antonio Calloni, entre outros. A proposta, segundo Leandra, era evitar que eles fossem reduzidos a figuras imediatamente identificáveis como boas ou más. A equipe buscou construir homens reconhecíveis, capazes de parecer próximos do público e, ao mesmo tempo, de cometer a violência investigada na trama.

O filme também parte da colaboração entre uma diretora? Não: a direção é de Bruno Safadi, enquanto o roteiro foi escrito por Claudia Jouvin. A história foi desenvolvida por Claudia antes da chegada de Safadi ao projeto, e Leandra considera importante preservar essa origem e a perspectiva que motivou a criação do longa.

A presença de um homem na direção não é tratada pela atriz como impedimento para abordar uma violência contra uma mulher. Para ela, o essencial foi a abertura de Safadi para ouvir diferentes perspectivas durante a preparação do elenco. Andrea Beltrão amplia a discussão ao afirmar que a compreensão sobre a violência de gênero não deve ser restrita às mulheres.

Nesse cenário, a estação não funciona apenas como pano de fundo. A distância, o frio e a impossibilidade de fuga prolongam a convivência depois do crime. A investigação de Elisabeth precisa avançar enquanto a rotina da comunidade continua, com todos trabalhando, comendo e dormindo no mesmo espaço.

A paisagem virtual amplia o horizonte visual, mas a narrativa mantém os personagens confinados. O ambiente que parece vasto se torna uma prisão, e a ruptura da confiança transforma um crime individual em uma crise coletiva.

Texto produzido pela Redação Olhar Plural com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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