Uberlândia, Quinta-feira, 1 de outubro de 2026
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Cinema

“Antártida” enfraquece o suspense ao deixar sua vítima em segundo plano

Longa de Bruno Safadi reúne investigação, violência e isolamento polar, mas não transforma esses elementos em tensão ou densidade emocional.

“Antártida” enfraquece o suspense ao deixar sua vítima em segundo plano

Em uma base de pesquisa cercada pelo gelo, “Antártida” encontra um cenário promissor para um filme de investigação: ninguém pode simplesmente ir embora, a ajuda está distante e a convivência com um possível agressor se torna inevitável. O longa, porém, explora pouco essa condição. Ao concentrar sua narrativa na descoberta de quem estuprou Inês (Marina Ruy Barbosa), reduz a personagem e faz com que seu trauma funcione principalmente como mecanismo para conduzir o mistério.

A investigação fica sob responsabilidade da subcomandante Elisabeth (Andrea Beltrão), que interroga os integrantes da estação enquanto surgem segredos e novos episódios de violência. O problema é que muitas dessas revelações envolvem personagens pouco desenvolvidos. Sem uma relação mais consistente com eles, as descobertas raramente alteram a percepção do público ou produzem o impacto esperado.

O roteiro de Cláudia Jouvin tenta ampliar a discussão sobre abuso e machismo por meio de diferentes situações. A trajetória de Marina (Leandra Leal), marcada por outro caso de abuso cometido por alguém que também está na base, poderia acrescentar uma camada importante à história. O filme, no entanto, dedica pouco espaço a esse passado. Em seu lugar, os diálogos frequentemente explicam conflitos e intenções, substituindo a construção dramática das consequências por informações diretas.

A condução do caso de Inês é ainda mais problemática. Enquanto ela permanece afastada e confinada, os demais personagens discutem o crime e ocupam o centro da narrativa. A investigação fala sobre ela com mais interesse do que acompanha seu estado emocional. O filme poderia observar, a partir dessa situação, como uma vítima perde autonomia até mesmo diante de pessoas que dizem estar tentando ajudá-la. Essa possibilidade, contudo, não é desenvolvida, e sua ausência não se transforma em uma questão para a própria investigação.

O mistério também perde força quando o roteiro adia respostas de maneira pouco convincente. As câmeras de segurança demoram a ser consideradas, e a obtenção das imagens não parte de uma iniciativa imediata. Romances paralelos e novas ameaças acrescentam desvios a uma história já carregada, sem tornar a busca pelo responsável mais envolvente.

Visualmente, a recriação da neve e da paisagem polar convence na maior parte do tempo. A direção de Bruno Safadi, entretanto, aproveita pouco o potencial da ambientação. A base raramente é apresentada como um espaço que determina o comportamento dos personagens, e o confinamento não chega a ser sentido. As interrupções por imagens externas do gelo funcionam mais como pausas entre cenas do que como elementos capazes de intensificar a tensão.

Andrea Beltrão, Leandra Leal e Lázaro Ramos encontram humanidade possível em seus papéis. Marina Ruy Barbosa também sustenta Inês à medida que a personagem perde espaço na narrativa. O trabalho do elenco, porém, não compensa a falta de continuidade e de peso emocional em várias cenas.

Ao tentar discutir a violência contra a mulher e, ao mesmo tempo, operar como um whodunnit, “Antártida” enfraquece suas duas frentes. O isolamento permanece subaproveitado, o mistério não se sustenta com firmeza e a pergunta mais importante — como Inês está — fica quase sempre fora do centro.

Texto produzido pela Redação Olhar Plural com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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