Zack Snyder afirmou que ainda não assistiu a Superman nem a Supergirl, produções ligadas à atual fase da DC Studios, comandada por James Gunn e Peter Safran. O diretor disse que a decisão tem relação com o caráter pessoal de sua saída do universo de super-heróis da DC e avaliou que ainda é cedo para acompanhar os novos filmes.
Apesar disso, Snyder afirmou gostar de Gunn e admirar sua visão. Segundo o cineasta, o atual co-CEO da DC Studios chegou a consultá-lo sobre o traje usado por David Corenswet em Superman, lançado em 2025. A conversa teria envolvido a escolha de manter ou não a cueca sobre o uniforme — elemento que Gunn, ao que tudo indica, não decidiu conforme a sugestão recebida.
O rompimento com a Warner Bros.
Snyder voltou a falar sobre o período em que deixou a direção de Liga da Justiça, após a morte de sua filha, Autumn. Ele descreveu as circunstâncias como particulares e intensas, além de reconhecer que sua relação com a Warner Bros. estava desgastada.
O diretor contou que sua esposa, Debbie, assistiu à versão conduzida por Joss Whedon e o aconselhou a não ver o resultado. Snyder também disse ter descoberto que sessenta páginas do roteiro haviam sido reescritas. Ele nunca assistiu ao filme finalizado por Whedon, portanto não se considera apto a avaliá-lo diretamente.
Na avaliação de Snyder, o estúdio resistia à sua visão para o universo da DC e buscava ampliar o controle sobre os projetos. Ele também afirmou acreditar que algumas pessoas na liderança da empresa enxergaram a morte de sua filha como uma oportunidade para retomar o comando da produção.
Anos depois, um ex-executivo da Warner Bros. teria dito ao diretor que ele estava certo em suas posições. Snyder relatou a conversa: “nós estávamos lutando contra você e, no fim das contas, você tinha razão”.
A escolha de O Cavaleiro das Trevas
Entre os projetos da DC, Snyder apontou uma adaptação em live-action de O Cavaleiro das Trevas como o único filme que ainda gostaria de dirigir. Ele explicou que, ao lado de Watchmen, a obra representaria o ciclo completo das histórias em quadrinhos de super-heróis.
Para o cineasta, O Cavaleiro das Trevas poderia dialogar com um público já saturado pelo gênero, como ocorreu com Watchmen. Snyder também observou que a obra teria surgido em um momento de forte desgaste entre leitores de quadrinhos e considerou que essa característica continuaria pertinente para os filmes de super-heróis atuais.
Ao comentar a cueca sobre o uniforme, Snyder relacionou o elemento à tradição visual dos homens fortes da era vitoriana. Na interpretação dele, a peça refletia o pudor daquele período diante da nudez e se tornou um componente arcaico dos trajes de super-heróis. A permanência do detalhe, acrescentou, poderia indicar que esse pudor ainda não foi completamente superado.


