Uberlândia, Quinta-feira, 1 de outubro de 2026
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Cinema

“Protocolo de Extermínio” aposta no estilo, mas perde força no caminho

Suspense de ação dirigido por Adam Wingard encontra energia nas imagens e em Adria Arjona, mas sofre com roteiro apressado e duração reduzida.

“Protocolo de Extermínio” aposta no estilo, mas perde força no caminho

Adria Arjona interpreta uma ex-fuzileira marcada pelo trauma em “Protocolo de Extermínio”, suspense de ação que combina conspiração, experimentos humanos e estética de videogame. O filme chega aos cinemas nacionais em 1º de outubro, mas não consegue transformar suas ideias em uma narrativa plenamente coesa.

Conhecida por trabalhos em “Emerald City” e “Andor”, Arjona vive Celeste, uma ex-fuzileira do exército dos Estados Unidos que mora em uma área de trailers no interior do país. Ela supervisiona outros rejeitados que procuram algum conforto em meio à solidão e tenta manter a guarda compartilhada da filha, Daisy, interpretada por Blake Kennedy. O equilíbrio precário da personagem desaparece quando uma ameaça ligada ao seu passado chega à sua casa.

Entre conspiração e sobrevivência

Enquanto Celeste enfrenta seus conflitos pessoais, o filme apresenta uma trama governamental ligada aos experimentos promovidos por nazistas durante a II Guerra Mundial. A ideia envolve a criação de um soldado perfeito, geneticamente modificado e capaz de subjugar qualquer adversário.

O cientista Hans Kammler, vivido por Dan Stevens, parece ter alcançado esse objetivo com três ex-soldados. O projeto, porém, sai do controle, e os personagens iniciam uma matança que os conduz até a protagonista. A premissa reúne elementos de horror, ação e ficção científica, mas a rapidez com que a história avança impede que essas camadas se desenvolvam de maneira consistente.

Adam Wingard, que também criou a história ao lado de Simon Barrett, retoma uma espécie de continuidade espiritual de “O Hóspede”, lançado em 2014. A inspiração em videogames aparece em referências a “Resident Evil” e “Bioshock”, além de uma construção visual que alterna o vermelho da urgência e o azul da melancolia. A fotografia de Oren Soffer acompanha a ruína gradual dos personagens.

O problema central está na duração reduzida. Os breves noventa minutos não oferecem tempo suficiente para apresentar os personagens com profundidade ou estabelecer vínculos capazes de sustentar seus arcos. Algumas decisões parecem apressadas, enquanto boa parte das figuras é descartada antes que suas trajetórias ganhem peso.

Imagens fortes, narrativa irregular

Wingard privilegia o impacto visual, mas a sucessão de referências e efeitos acaba produzindo uma obra fragmentada. Algumas construções estilísticas se repetem para reforçar a atmosfera sombria, porém o resultado se aproxima de uma redundância cansativa.

O filme dialoga com a violência de “Kill Bill”, inclusive por meio do figurino de Celeste, e recupera as pulsões eugenistas presentes em adaptações de “A Ilha do Dr. Moreau”. Há ainda uma menção a “Aliens, o Resgate” que não encontra espaço para ser desenvolvida. Essas aproximações ajudam a indicar as intenções do projeto, mas também evidenciam sua dependência de referências conhecidas.

Arjona é o principal ponto de sustentação da produção. Celeste surge como uma anti-heroína improvável, complexa e disposta a proteger aqueles que ama. A atriz encontra ritmo e dinamismo mesmo quando o roteiro não oferece material suficiente para aprofundar a personagem.

“Protocolo de Extermínio” poderia alcançar resultado mais consistente se confiasse em seu próprio potencial e equilibrasse melhor forma e conteúdo. Em vez disso, leva suas ideias a sério demais para se entregar plenamente ao entretenimento ou desenvolver uma crítica social. Restam uma protagonista envolvente, alguns momentos de criatividade e uma narrativa que, apesar da energia, parece não decidir qual caminho seguir.

Texto produzido pela Redação Olhar Plural com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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