Uberlândia, Quinta-feira, 1 de outubro de 2026
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Cinema

Do palco à tela: cinco adaptações brasileiras que marcaram o cinema

Obras de Dias Gomes, Gianfrancesco Guarnieri, Ariano Suassuna, Osman Lins e Paulo Gustavo chegaram ao cinema com diferentes histórias e estilos.

Do palco à tela: cinco adaptações brasileiras que marcaram o cinema

O teatro brasileiro também encontrou no cinema uma forma de ampliar o alcance de suas histórias. Entre dramas sociais, romances, comédias e narrativas ambientadas no sertão, cinco produções levaram aos cinemas personagens e conflitos originalmente concebidos para os palcos.

A seleção passa por filmes reconhecidos em festivais internacionais, obras que conquistaram prêmios no Brasil e histórias que permaneceram na memória do público. A relação inclui adaptações de peças escritas por Dias Gomes, Gianfrancesco Guarnieri, Ariano Suassuna, Osman Lins e Paulo Gustavo.

“O Pagador de Promessas”

Escrita por Dias Gomes em 1959, a peça “O Pagador de Promessas” foi adaptada para o cinema por Anselmo Duarte, que também dirigiu o filme de 1962. Leonardo Villar interpreta Zé do Burro, homem que faz uma promessa depois que seu animal é atingido por um raio.

Se o burro se recuperasse, Zé decidiria dividir suas terras com os mais pobres e levar uma cruz até a Igreja de Santa Bárbara, em Salvador, para entregá-la ao padre. A tentativa de cumprir o compromisso, no entanto, encontra a resistência da Igreja e uma série de obstáculos.

O filme estreou mundialmente no Festival de Cannes de 1962 e recebeu a Palma de Ouro. Também ganhou o Prêmio Especial do Júri no Festival Internacional de Cinema de Cartagena, na Colômbia, e os prêmios Golden Gate de Melhor Filme e de Melhor Trilha Sonora, atribuída a Gabriel Migliori, no San Francisco International Film Festival. A produção foi ainda o primeiro filme brasileiro e sul-americano indicado ao Oscar na categoria de Melhor Filme Internacional.

“Eles Não Usam Black-Tie”

Dirigido e escrito por Leon Hirszman, o drama de 1981 adapta a peça homônima de Gianfrancesco Guarnieri. O autor participou do roteiro e do elenco, ao lado de Fernanda Montenegro.

A trama se inicia com uma greve que mobiliza os trabalhadores de uma empresa. Em meio ao movimento, um operário descobre que a namorada está grávida e decide se casar. Temendo perder o emprego, ele fura a greve liderada pelo próprio pai. O gesto provoca um conflito familiar que chega às assembleias e aos piquetes.

No 38º Festival Internacional de Cinema de Veneza, a produção recebeu o Grande Prêmio Especial do Júri. O filme também conquistou o Prêmio FIPRESCI, concedido pela Federação Internacional de Imprensa Cinematográfica.

“O Auto da Compadecida”

As histórias de João Grilo e Chicó chegaram ao cinema em 1999, sob direção de Guel Arraes. A produção parte da peça “Auto da Compadecida”, escrita por Ariano Suassuna em 1955, e incorpora elementos de “O Santo e a Porca” e “Torturas de um Coração”, outras obras do autor.

Matheus Nachtergaele interpreta João Grilo, sertanejo pobre e cheio de artimanhas. Selton Mello vive Chicó, conhecido por sua covardia. Os dois enfrentam as dificuldades do cotidiano e se envolvem em uma sequência de confusões no pequeno vilarejo de Taperoá, no sertão da Paraíba.

No Grande Prêmio Cinema Brasil 2001, o filme venceu quatro prêmios. Também recebeu o prêmio de Melhor Ator no Festival de Viña del Mar e o prêmio do júri popular no Festival de Cinema Brasileiro de Miami.

“Lisbela e o Prisioneiro”

A comédia romântica dirigida por Guel Arraes em 2003 é baseada na peça homônima de Osman Lins. A história se passa no agreste pernambucano do século 20 e acompanha Lisbela, interpretada por Débora Falabella, uma jovem que gosta de cinema e se encanta pelos galãs de Hollywood.

Noiva de Douglas, personagem de Bruno Garcia, Lisbela leva uma vida tranquila até a chegada de Leléu, vivido por Selton Mello. Conquistador e aventureiro, ele se apaixona por ela. O romance se complica quando Leléu precisa fugir de Frederico Evandro, interpretado por Marco Nanini, um matador que busca vingança depois do envolvimento do aventureiro com Inaura, personagem de Virginia Cavendish.

No Grande Prêmio Cinema Brasil 2004, Selton Mello venceu como Melhor Ator, e André Moraes recebeu o prêmio de Melhor Trilha Sonora. A produção também ficou marcada pela música “Você não me ensinou a te esquecer”, de Caetano Veloso.

“Minha Mãe é uma Peça”

Escrita e protagonizada por Paulo Gustavo, “Minha Mãe é uma Peça” chegou ao cinema em 2013 depois de fazer sucesso nos palcos. A história apresenta Dona Hermínia, mulher divorciada e dedicada aos filhos Marcelina, interpretada por Mariana Xavier, e Juliano, vivido por Rodrigo Pandolfo.

Embora os filhos já sejam crescidos, Dona Hermínia acompanha cada passo dos dois. Ao descobrir que eles a consideram uma pessoa chata, decide sair de casa sem avisar. Enquanto Marcelina e Juliano tentam entender o que aconteceu, a mãe visita a tia Zélia, personagem de Sueli Franco, para desabafar e recordar momentos do passado.

O filme conquistou o público e bateu recordes históricos de bilheteria no Brasil. Também recebeu indicações e prêmios em votações populares, entre eles reconhecimentos no Prêmio APCA e no Prêmio Quem.

O sucesso foi seguido por duas continuações: “Minha Mãe é uma Peça 2”, lançada em 2016, e “Minha Mãe é uma Peça 3”, que chegou aos cinemas em 2019. Com elas, Dona Hermínia ganhou novas histórias e continuou presente na trajetória da série.

Texto produzido pela Redação Olhar Plural com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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