TORONTO — As primeiras avaliações de The Last Photograph, novo filme dirigido por Zack Snyder, foram divulgadas após a estreia no Toronto Film Festival. As críticas descrevem o longa como uma obra sem ritmo, excessiva e dramaticamente inconsistente, além de apontá-lo como o trabalho mais fraco da carreira do cineasta.
Entre as principais objeções estão a duração considerada excessiva, a violência e a nudez apontadas como gratuitas, os diálogos artificiais e as atuações avaliadas como vazias ou medíocres. Alguns críticos também afirmaram que o filme tenta adotar um tom mais artístico e pessoal, mas acaba expondo limitações na condução da história.
Uma das avaliações resumiu a reação ao projeto: “É Snyder em sua versão mais desenfreada, sem qualquer interferência do estúdio”. Outro comentário classificou a experiência como entediante, frustrante e extenuante, além de considerá-la a pior vista pelo crítico no festival até aquele momento.
Uma jornada entre a realidade e o surreal
A história acompanha um ex-agente da DEA que retorna às montanhas isoladas da América do Sul para procurar os sobrinhos desaparecidos. Os pais das crianças, um casal de diplomatas, foram assassinados, e a única testemunha capaz de reconhecer os responsáveis é um fotógrafo de guerra decadente e viciado.
Os dois partem em busca das crianças e da verdade sobre o crime. À medida que avançam para longe da civilização, o protagonista é confrontado por lembranças de seu passado. A travessia também altera gradualmente a fronteira entre o real e o surreal.
As avaliações destacaram que a premissa apresenta possibilidades, mas seria prejudicada por escolhas de roteiro, violência ultraviolenta e uma estrutura incapaz de sustentar o desenvolvimento dramático. Uma das críticas afirmou que há imagens interessantes, mas não um filme capaz de avançar do ponto de vista narrativo. O desempenho de Stuart Martin, que interpreta o protagonista, também foi questionado.
Outro comentário apontou a presença de elementos recorrentes no cinema de Snyder, como violência brutal, ética questionável, câmera lenta e planos concebidos sobretudo pelo impacto visual. Ainda assim, houve reconhecimento de que o longa possui beleza estética. Essa foi a principal qualidade mencionada entre as avaliações negativas.
Projeto pessoal
Snyder dirige o filme a partir de um roteiro de Kurt Johnstad e também recebe crédito pelo desenvolvimento da história original. Em declaração sobre a concepção da obra, o cineasta disse: “Last Photograph é uma meditação sobre a vida e a morte”. Ele afirmou ainda que a proposta envolvia realizar o trabalho de maneira íntima e explorar experiências pessoais por meio da criação de imagens.
A produção é comandada por Zack Snyder, Deborah Snyder e Wesley Coller, sob o selo da Stone Quarry. A equipe também reúne Gianni Nunnari, da Hollywood Gang Productions, e a coprodutora Alisha Stickney.
As críticas publicadas após a sessão variaram na formulação, mas convergiram ao reprovar o ritmo lento, a falta de tensão e a estrutura narrativa. Uma delas afirmou que Snyder levou 25 anos tentando aproximar a história de referências como Apocalypse Now e Rastros de Ódio, mas terminou com um resultado comparado a Som da Liberdade.


