BELO HORIZONTE — O documentário Si Vas para Chile, dirigido por Amilcar Infante e Sebastián González Méndez, foi o principal destaque do terceiro dia do CineBH 2026, marcado pelo início das mostras competitivas. Exibido na sala Humberto Mauro, no Palácio das Artes, o longa aborda a crise migratória na América do Sul a partir de relatos de imigrantes, muitos deles venezuelanos.
Selecionado para a mostra competitiva Horizonte, o filme articula depoimentos e ilustrações panorâmicas para construir um recorte sobre os desafios relacionados à gestão migratória, ao embate cultural, à xenofobia e aos direitos humanos. A obra também trata da corrupção moral e das tensões que atravessam pessoas deslocadas de suas origens em busca de oportunidades.
A sessão ocorreu na sala Humberto Mauro, situada no Palácio das Artes, na avenida Afonso Pena, na região central de Belo Horizonte. O espaço passou a exigir a retirada dos convites em um totem instalado em frente à sala, substituindo a interação direta com a equipe de bilheteria.
Justiça e violência contra a mulher
A programação do dia prosseguiu no Cine Belas Artes com Pele de Rinoceronte, dirigido por Marcello Ludwig Maia e selecionado para a mostra Vertentes. O longa apresenta duas trajetórias ligadas pela busca por justiça depois de um ato violento contra uma mulher alcançar grande repercussão.
Ambientada em meados de 1970, a narrativa acompanha a jornalista Helena, interpretada por Débora Falabella, funcionária de um jornal popular que investiga um assassinato. Paralelamente, Maria Thereza, vivida por Naruna Costa, prepara-se para atuar no mesmo caso como advogada criminalista.
As duas personagens se encontram em torno de um crime de ódio contra uma mulher. O projeto é inspirado no caso Ângela Diniz. A ideia associada ao título remete à resistência diante das adversidades de uma sociedade machista e orienta a trajetória das protagonistas. Naruna Costa recebeu o Kikito de Melhor Atriz Coadjuvante no último Festival de Gramado.
Língua e memória indígena
O encerramento da noite ocorreu novamente no Palácio das Artes, com Pukem Swa, documentário colombiano dirigido por Samuel Moreno Alvarez e selecionado para a mostra Território. O filme acompanha momentos cotidianos de uma criança de 10 anos para refletir sobre a revitalização de uma língua ancestral indígena e sobre o legado de seu povo, originário dos Andes colombianos.
Com planos longos e uma abordagem sensorial, a produção apresenta parte de uma cultura local e acompanha a descoberta de um pai e seu filho por meio de ensinamentos culturais do passado. O documentário também aborda o Chibcha, língua indígena associada ao povo Muisca que entrou em desuso após a invasão espanhola na América e foi apagada com a colonização espanhola, a partir do século XVI.
O CineBH segue até o dia 27 de setembro, com mais de 100 filmes de países sul-americanos na programação.



