TORONTO — Andrew Scott voltou a discutir a relação entre sexualidade e credibilidade artística em Hollywood durante a divulgação de Elsinore no Festival de Toronto. O ator questionou a ideia de que profissionais gays possam encontrar restrições ao interpretar personagens heterossexuais ou assumir papéis românticos desse tipo.
A trajetória de Scott inclui trabalhos em Fleabag, Ripley e Todos Nós Desconhecidos. Ao longo da carreira, ele interpretou personagens com diferentes sexualidades, experiência que sustenta sua defesa de uma atuação capaz de ultrapassar a identidade pessoal do intérprete.
O debate também expõe um tratamento desigual na indústria. Atores heterossexuais foram historicamente elogiados e receberam Oscars por interpretar personagens gays. Para atores assumidamente gays, porém, permaneceu a noção de que o público poderia não aceitá-los como protagonistas heterossexuais.
Scott se posicionou contra essa lógica ao abordar o preconceito enfrentado por profissionais LGBTQIA+. Em sua avaliação, a atuação deveria permitir que uma pessoa desse vida a alguém diferente de si mesma, sem que sua orientação sexual determinasse os papéis considerados plausíveis.
A discussão permanece ligada à maneira como Hollywood avalia a relação entre a vida dos atores e os personagens que eles interpretam. Para Scott, essa separação deveria ser parte evidente do próprio trabalho de atuar.


