Uberlândia, Quinta-feira, 1 de outubro de 2026
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Cinema

“A Bola Preta” transforma silêncios e desejos em uma crônica queer sobre identidade

Filme espanhol percorre diferentes tempos para abordar sexualidade, memória e os efeitos da omissão em uma narrativa de 155 minutos.

“A Bola Preta” transforma silêncios e desejos em uma crônica queer sobre identidade

Escolhido para abrir o Festival do Rio 2026, “A Bola Preta” representa a Espanha na disputa pela categoria de Melhor Filme Internacional no próximo Oscar. Exibido no Festival de Cannes deste ano, o longa acompanha, em diferentes linhas temporais, personagens atravessados por sexualidade, medo, memória e questionamentos sobre a própria identidade.

A narrativa se organiza em três momentos. Durante a Guerra Civil Espanhola, Sebastian (Guitarricadelafuente), trompetista transformado à força em soldado nacionalista, precisa esconder sua sexualidade e assumir a vigilância de um prisioneiro. Rafael (Miguel Bernardeau), antigo amor do poeta Federico García Lorca, guarda a informação sobre o paradeiro de uma de suas últimas peças.

Em 2017, o escritor Alberto (Carlos González) descobre um segredo familiar mantido durante toda a vida por seu avô. Em outra frente, Carlos (Milo Quifes), pressionado pelo pai, tenta ingressar em um clube social exclusivo enquanto enfrenta rumores. Aos poucos, os três percursos se aproximam e revelam as conexões entre suas experiências.

A guerra civil, marcada pelo confronto entre republicanos e nacionalistas em meados da década de 1930 e encerrada com a vitória do ditador Francisco Franco, fornece o principal cenário histórico. O filme percorre esse período e seus ecos por meio de partidas, lembranças e escolhas guiadas pela omissão. O silêncio aparece como tentativa de proteção, mas também como força capaz de afastar os personagens de seus sentimentos reais.

Com 155 minutos, o longa combina drama realista e uma estrutura baseada em uma obra inacabada, usada como espelho entre os diferentes tempos. A direção de Javier Calvo e Javier Ambrossi, vencedores do prêmio de Melhor Direção no Festival de Cannes 2026, aposta em trocas temporais que conferem dinamismo à montagem, embora em alguns momentos possam gerar confusão. Ainda assim, a construção preserva as camadas das dores e dos conflitos sem reduzir a obra ao impacto visual.

Inspirado em “La Piedra Oscura”, de Alberto Conejero, e em uma obra inacabada de Federico García Lorca, o filme ganha força também pelas atuações do elenco, com participações de Gleen Close e Penélope Cruz. Ao articular desejo, preconceito e descoberta, “A Bola Preta” compõe uma crônica queer de sentimentos intensos, marcada por silêncios que atravessam gerações.

Texto produzido pela Redação Olhar Plural com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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