Uberlândia, Quinta-feira, 1 de outubro de 2026
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Ciência

Proteínas animais e sementes ajudavam a fixar tintas no Egito antigo

Análise de 28 amostras identificou colágeno, ovos, gergelim, cereais e moringa em pinturas produzidas ao longo de séculos.

Proteínas animais e sementes ajudavam a fixar tintas no Egito antigo
Foto: Museu Britânico/Creative Commons

Uma análise química de pinturas do Egito antigo identificou proteínas extraídas de couro, vísceras e possivelmente ossos de animais, além de sementes de gergelim, cereais e moringa. Esses materiais eram usados na composição de adesivos e fixadores que contribuíam para a permanência das cores em caixões, tumbas, vasos e estruturas arquitetônicas.

O estudo, publicado na revista Science Advances, examinou 28 amostras de arte egípcia preservadas em museus da Dinamarca, da Suécia e do Reino Unido. O conjunto abrange peças produzidas desde o Novo Império, por volta de 1400 a.C., até 400 da Era Cristã, quando o Egito já integrava o domínio romano havia vários séculos.

Proteínas animais nas tintas

Liderada por Clara Granzotto e Enrico Cappellini, da Universidade de Copenhague, a equipe investigou componentes situados além dos pigmentos responsáveis pela cor. O foco recaiu sobre substâncias que funcionavam como adesivos e fixadores, fundamentais para evitar que as imagens se tornassem progressivamente mais esmaecidas.

A técnica separou os componentes das amostras e permitiu identificar peptídeos, fragmentos de proteínas, por meio de uma espécie de balança molecular. O colágeno apareceu como um dos elementos mais importantes. A principal origem era bovina, mas também foram detectadas proteínas associadas a cabras e ou ovelhas, jumentos, cavalos e antílopes.

A interpretação dos pesquisadores é que couro, vísceras e talvez ossos fossem fervidos para produzir um adesivo. Esses materiais poderiam vir de sobras do consumo de carne ou de animais mortos por outras causas. Proteínas da clara e da gema de ovos de galinha também foram encontradas, inclusive em uma camada de tinta verde da tumba de Nebamun, escriba e contador que morreu por volta de 1350 a.C. Nesse caso, os ovos provavelmente exerciam função fixadora.

Cereais, gergelim e moringa

A pesquisa também encontrou proteínas de gergelim, de espécies de trigo e de cevada. A presença desses cereais se relaciona à importância que tinham na alimentação egípcia, especialmente na produção de pão e cerveja. Ainda não se sabe com precisão qual era a função das substâncias derivadas das sementes. Pastas feitas com farinha ou subprodutos da produção de óleo, porém, poderiam ter sido empregadas como fixadores.

Outro resultado chamou a atenção da equipe: a identificação de materiais derivados de sementes de moringa, espécie associada na cultura egípcia ao deus Ptah, ligado à criação e ao trabalho de artesãos e arquitetos. No fragmento de caixão analisado, a presença da substância pode indicar uma relação prática entre o uso da planta e o simbolismo atribuído à divindade. Os autores consideram que a moringa poderia fornecer um material necessário ao trabalho dos artífices.

A composição química identificada também pode ajudar a reconhecer falsificações ou alterações em objetos antigos. Os pesquisadores mapearam modificações estruturais nas proteínas que surgem com a passagem dos séculos. Essas alterações funcionariam como um relógio molecular e não poderiam ser reproduzidas por um falsificador moderno, mesmo que ele imitasse métodos antigos de pintura.

Análises futuras poderão investigar diferenças regionais no uso e no preparo das matérias-primas. Com isso, a equipe espera contribuir para a identificação das regiões do antigo domínio dos faraós onde determinadas obras foram produzidas, mesmo quando sua procedência não estiver documentada.

Texto produzido pela Redação Olhar Plural com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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