Uberlândia, Quinta-feira, 1 de outubro de 2026
Ideias, cultura e reportagem
Brasil

Carlos Viana usou cota do Senado para pagar TV ligada à Fundação Oásis

Emissora de Janaúba recebeu R$ 25 mil por divulgação de atividade parlamentar; entidade relacionada é investigada pelo STF.

Carlos Viana destinou verba da cota do Senado a TV ligada a entidade investigada pelo STF por emendas
Foto: Andressa Anholete/Agência Senado

O senador Carlos Viana (PSD-MG) destinou R$ 25 mil da cota parlamentar do Senado Federal à Fundação Educativa e Cultural Edilson Brandão Guimarães, responsável pela TV Serra Geral, em agosto de 2025. O pagamento foi registrado como divulgação de atividade parlamentar.

A emissora é ligada a Flávio Henrique Félix Corrêa, presidente da Fundação Oásis. A entidade recebeu ao menos R$ 3,7 milhões em emendas indicadas por Viana e é investigada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) por possíveis irregularidades na destinação e na execução de recursos públicos federais.

Viana afirmou que o dinheiro foi usado para a veiculação de anúncios publicitários sobre seu mandato. “Todas as notas fiscais referentes aos pagamentos feitos pelo mandato são públicas, fiscalizadas pelo Tribunal de Contas da União (TCU) e publicadas no Portal da Transparência”, declarou.

Investigação sobre as emendas

A apuração no STF começou após uma denúncia apresentada pelos deputados federais Rogério Correia (PT-MG) e Pastor Henrique Vieira (Psol-RJ). Em 24, o ministro Flávio Dino determinou que a Controladoria-Geral da União (CGU) incluísse a Fundação Oásis no plano anual de auditorias de 2026. A análise deverá abranger os repasses federais recebidos pela entidade nos últimos cinco anos, com atenção às indicações feitas pelo senador.

No despacho, Dino apontou inconsistências nas informações fornecidas por Viana e pelo Senado. O parlamentar disse que os recursos foram enviados na modalidade “fundo a fundo”, em que os municípios escolheriam as entidades responsáveis pela execução. Prefeituras, porém, informaram ao STF que a Fundação Oásis havia sido indicada diretamente.

Documentos da Prefeitura de Capim Branco registram que os recursos chegaram com destinação específica. A Prefeitura de Belo Horizonte também informou que a entidade apareceu como beneficiária no sistema federal de transferências, vinculada à emenda parlamentar. Para o ministro, os dados apresentam “dúvidas, omissões e contradições” e sugerem interferência do senador na escolha da organização.

Relatórios da CGU encontraram problemas na aplicação dos recursos. Uma emenda de R$ 1,5 milhão destinada a Belo Horizonte, por exemplo, não teve chamamento público e permaneceu em conta sem uso por mais de 18 meses. Parte do dinheiro foi transferida quando a fundação estava em situação fiscal irregular.

A decisão também menciona uma emenda de R$ 1,35 milhão para a Fundação Oásis em Capim Branco, em 2024, que não teria sido informada pelo senador. Com esse valor, os recursos indicados por Viana à entidade no município entre 2023 e 2025 somam R$ 3,787 milhões. Considerados também os repasses para Belo Horizonte e Betim, os valores associados ao chamado “ecossistema Lagoinha-Valadão” chegam a cerca de R$ 9 milhões.

Texto produzido pela Redação Olhar Plural com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

Entre na nossa newsletterO melhor da semana, sem spam.