Uma revisão global publicada no periódico Biodiversity and Conservation estima que entre 55,6% e 69,2% das espécies de orquídeas estejam sob risco de extinção. O estudo reuniu dados disponíveis até março de 2025 e usou ferramentas de inteligência artificial para cruzar informações sobre o estado de conservação dessas plantas.
O trabalho tem entre seus coautores Eric de Camargo Smidt, professor do Departamento de Botânica da Universidade Federal do Paraná (UFPR) e Autoridade da Lista Vermelha para Orquídeas Sul-Americanas pela União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN). Também participaram pesquisadores da Austrália, Camarões, Estados Unidos, França, Madagascar e Reino Unido.
Smidt relaciona a situação ao extrativismo e ao comércio clandestino. “O extrativismo predatório, aliado ao mercado ilegal que persiste até hoje, colocou a família Orchidaceae em maior risco de extinção do que outras plantas com flores”, afirmou.
Uma família com lacunas de informação
Orchidaceae está entre as maiores famílias de angiospermas, grupo formado por plantas que produzem flores e mantêm as sementes protegidas dentro de frutos. Cerca de 75% das espécies são epífitas, vivendo sobre árvores hospedeiras. As demais são terrestres, quando crescem diretamente no solo, ou mico-heterotróficas, dependendo de fungos para obter nutrientes.
A dependência das condições ambientais, a distribuição geográfica restrita e o crescimento lento podem aumentar a vulnerabilidade das orquídeas. O estudo, porém, ressalta que o conhecimento disponível sobre a família ainda é limitado.
A Lista Vermelha de Espécies Ameaçadas, mantida pela IUCN e estabelecida em 1964, é considerada a principal fonte mundial sobre o risco de extinção de animais, fungos e plantas. Das 30 mil espécies de orquídeas conhecidas, apenas cerca de 2 mil foram mapeadas pela lista.
As Américas Central e do Sul e a Ásia tropical estão entre as regiões menos amostradas. Em vários países sul-americanos, os dados existentes podem subestimar o nível de ameaça. A coleta também é dificultada pelo fato de muitas espécies viverem em áreas de difícil acesso. Além disso, há sistemas nacionais que não seguem os padrões globais da IUCN, falta de financiamento para avaliações e número limitado de especialistas.


