Uberlândia, Quinta-feira, 1 de outubro de 2026
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Planilhas apreendidas pela PF apontam pagamentos a aliados de Bolsonaro

Documentos atribuídos a Adilsinho registram valores ligados a políticos e são analisados em investigação sobre crime organizado no Rio de Janeiro.

Planilhas apreendidas pela Polícia Federal com Adilson Oliveira Coutinho Filho, conhecido como Adilsinho, indicam pagamentos superiores a R$ 10 milhões a nomes ligados à família Bolsonaro. Os documentos fazem parte de uma investigação sobre uma possível estrutura de cooptação de autoridades pelo crime organizado no Rio de Janeiro.

Os registros foram encontrados em novembro de 2022, durante uma operação que investigava a venda de cigarros ilegais no estado. Em 2026, o material voltou a ser analisado na Operação Unha e Carne, que apura a atuação do crime organizado na política fluminense.

As anotações mencionam 61 pessoas. A maior parte dos nomes corresponde a políticos e partidos, embora alguns destinatários apareçam apenas por codinomes. Os valores associados a agentes políticos ultrapassam R$ 29 milhões, mas os documentos não esclarecem em que período os supostos pagamentos teriam ocorrido.

Nomes e valores registrados

Entre os nomes relacionados à família Bolsonaro, as planilhas atribuem R$ 3,63 milhões a Cláudio Castro, ex-governador do Rio de Janeiro; R$ 5,43 milhões a Rodrigo Bacellar, ex-presidente da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro, associado ao codinome “Barba”; R$ 323,2 mil a Hélio Lopes, deputado federal; R$ 91,8 mil a Alexandre Ramagem, ex-deputado federal e ex-diretor da Agência Brasileira de Inteligência; e R$ 727,9 mil a Gutemberg Fonseca, ex-secretário do governo Castro e candidato a deputado federal.

Em relatório, a Polícia Federal afirma que as planilhas podem indicar uma estrutura de circulação de recursos para financiamento político, formal ou informal. Para os investigadores, a organização dos beneficiários e dos valores permite cruzamentos com dados bancários, fiscais e eleitorais.

A associação entre o codinome “Barba” e Rodrigo Bacellar é contestada pela defesa do ex-deputado. Os advogados também negam que ele tenha recebido valores de Adilsinho e afirmam que Bacellar nunca usou o apelido em sua vida profissional, política ou pessoal.

Defesas negam recebimentos

A defesa de Cláudio Castro negou qualquer pagamento feito por Adilsinho. Os advogados disseram que os serviços gráficos contratados na campanha de 2022 foram declarados à Justiça Eleitoral e tiveram as contas aprovadas.

Gutemberg Fonseca também negou relação com Adilsinho e afirmou que nunca encontrou o bicheiro nem recebeu pagamentos dele para sua campanha. Hélio Lopes disse não reconhecer os valores registrados e, por meio de sua assessoria, declarou que as receitas e despesas da campanha de 2022 foram informadas à Justiça Eleitoral, com contas aprovadas.

A defesa de Rodrigo Bacellar ainda afirmou que uma Mercedes localizada em uma operação policial havia sido cedida temporariamente por uma concessionária para avaliação. Conforme os advogados, o veículo foi devolvido e não chegou a ser comprado.

Não houve resposta da defesa de Alexandre Ramagem. A presença de nomes citados nas planilhas em um camarote ligado a Bernardo Coutinho Loyola, sobrinho de Adilsinho, durante o Carnaval de 2024 também é mencionada na investigação, mas essa presença, isoladamente, não constitui prova de envolvimento no esquema apurado.

Texto produzido pela Redação Olhar Plural com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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