Uma tendência associada à machosfera incentiva homens a abandonar o banho, dispensar o desodorante e usar roupas levemente encardidas em encontros. A prática, chamada pheromone-maxxing, parte da expectativa de que o acúmulo do odor natural do corpo desperte uma atração biológica automática nas mulheres.
Nas versões mais extremas, adeptos relatam vestir roupas sujas de propósito. A proposta é apresentada como uma forma de maximização de feromônios e integra o universo do looksmaxxing, conjunto de práticas que promete transformar homens em versões mais atraentes de si mesmos.
O looksmaxxing se baseia na ideia de otimizar o corpo, tratado como um projeto com métricas a serem alcançadas. Nesse raciocínio, a rejeição aparece como uma falha técnica a ser corrigida. O termo circulou inicialmente em fóruns incel, chegou ao TikTok e passou a ser difundido por influenciadores da machosfera, ecossistema que também propaga o discurso redpill.
O pheromone-maxxing é descrito como a alternativa mais barata dentro dessa promessa de transformação: não requer academia, procedimento estético ou dinheiro, apenas deixar de tomar banho.
O argumento científico
Os adeptos recorrem à existência de feromônios humanos para sustentar a prática. Essas substâncias químicas, liberadas pelo corpo, provocariam respostas comportamentais automáticas em outras pessoas, como ocorre em diversas espécies animais.
Depois de 60 anos de pesquisa, porém, a ciência nunca encontrou um feromônio humano. Sem higiene, o que se acumula no corpo não são feromônios, mas bactérias.


