A Polícia Federal cumpre nesta quinta-feira (10) 49 mandados de busca e apreensão contra pessoas ligadas ao financiamento de “Dark Horse”, cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Entre os alvos estão o deputado Mario Frias (PL-SP), produtor executivo do longa, e Karina Gama, dona da Go UP Entertainment, empresa responsável pela produção.
A operação Make Up foi autorizada pelo ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal, e é realizada em parceria com a Controladoria-Geral da União. Os mandados são cumpridos em São Paulo, Rio de Janeiro, Ceará e no Distrito Federal.
A investigação apura um suposto desvio de emendas parlamentares repassadas a uma organização da sociedade civil. De acordo com a PF, os levantamentos indicam a atuação de uma “organização criminosa formada por agentes públicos e privados”, suspeita de direcionar os valores para empresas subcontratadas de maneira irregular e sem comprovação da prestação dos serviços contratados.
A corporação também identificou movimentação de centenas de milhões de reais entre empresas incluídas na apuração. São investigados possíveis crimes de peculato, falsidade documental, lavagem de dinheiro, organização criminosa e crimes licitatórios.
Inquéritos no Supremo
O financiamento de “Dark Horse” é analisado em dois inquéritos no STF. Um deles é relatado pelo ministro André Mendonça. O outro, que investiga possível direcionamento de emendas, está sob relatoria de Dino.
Em março, Dino determinou que Mario Frias prestasse esclarecimentos sobre uma emenda parlamentar de R$ 2 milhões destinada ao Instituto Conhecer Brasil, organização não governamental ligada à produtora do filme. O ministro solicitou informações sobre possíveis irregularidades na execução dos recursos.
Em manifestação enviada ao Supremo em maio, Frias negou irregularidades e afirmou que o dinheiro teve finalidade social. Ele também foi secretário de Cultura durante a gestão Bolsonaro.
Em junho, a Polícia Civil de São Paulo realizou uma operação contra a Go UP Entertainment para apurar suspeitas de fraudes e desvios de recursos públicos. Após determinação de Dino, os dados obtidos foram compartilhados com o STF.


