O Paraná registrou 7.630 acidentes em rodovias federais durante 2025, segundo o Anuário Estatístico da Polícia Rodoviária Federal (PRF). O estado aparece em terceiro lugar no país, atrás de Minas Gerais e Santa Catarina.
A proximidade da Semana Nacional de Trânsito, realizada entre 18 e 25 de setembro, levou a Associação Paranaense de Inspeção Veicular (APOIA) a defender que as condições técnicas dos veículos sejam incluídas de forma permanente nas políticas de prevenção. A entidade afirma que a segurança veicular deve ser discutida ao lado de fatores como comportamento dos condutores, infraestrutura e fiscalização.
Mortes e internações
Dados preliminares do Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM/Datasus) indicam que 2.660 pessoas morreram no trânsito no Paraná em 2025. O levantamento considera acidentes em vias urbanas, estaduais e federais.
No mesmo período, 12.697 vítimas foram internadas em razão de lesões provocadas pelo trânsito. De acordo com dados divulgados pela Secretaria de Estado da Saúde do Paraná (Sesa), o atendimento representou um custo superior a R$ 23,5 milhões para o Sistema Único de Saúde (SUS), o equivalente a uma média de quase 35 internações por dia.
O presidente da APOIA, Everton Pedroso, afirma que os números também devem ser tratados como um problema de saúde pública, com efeitos sobre as famílias, os serviços de emergência e o SUS.
Dois acidentes ocorridos em agosto são usados por Pedroso para dimensionar os riscos relacionados a veículos de grande porte. Em 18 de agosto, um engavetamento com quatro carretas e seis automóveis na BR-277, em Morretes, matou duas pessoas e deixou cinco gravemente feridas. Durante a apuração, a PRF identificou alterações no sistema de freios da carreta apontada como responsável pelo início da ocorrência. Pelo menos duas mangueiras estavam isoladas, o que deixou rodas sem frenagem e aumentou a carga sobre outros componentes.
Em 19 de agosto, um caminhão e um micro-ônibus bateram de frente na BR-373, em Ipiranga. O acidente matou 23 pessoas e deixou cinco feridas. As informações preliminares indicaram que o caminhão teria passado para a pista contrária, mas as circunstâncias continuavam sob investigação das autoridades.
Pedroso ressalta que não é possível atribuir uma tragédia a uma falha mecânica sem comprovação. Para ele, porém, a identificação de um sistema de freios manipulado em um veículo pesado em circulação representa um alerta sobre a fiscalização, que, segundo o presidente da associação, costuma ocorrer depois dos acidentes.
Inspeção técnica
A APOIA diferencia a inspeção veicular técnica da vistoria e da manutenção convencional. A vistoria se concentra sobretudo na identificação do veículo e em verificações documentais e visuais. Já a inspeção utiliza equipamentos e procedimentos específicos para examinar sistemas ligados à segurança operacional.
Entre os itens avaliados estão freios, suspensão, direção, pneus, iluminação e sinalização. A análise pode encontrar deficiências que não são perceptíveis apenas visualmente, especialmente em veículos de transporte de cargas e de passageiros.
O Plano Estadual de Segurança no Trânsito do Paraná (PETRANS 2025–2030) adota o conceito de sistema seguro, segundo o qual diferentes fatores precisam atuar em conjunto para reduzir mortes e lesões. Para o presidente da APOIA, as políticas públicas devem reservar espaço permanente para as condições técnicas dos veículos.
A entidade sustenta que a inspeção não substitui educação, fiscalização, infraestrutura segura ou respeito às regras. Seu papel, afirma Pedroso, é identificar problemas de segurança antes que eles produzam consequências no trânsito.
Durante a Semana Nacional de Trânsito, a mobilização de órgãos públicos, entidades e sociedade busca ampliar as ações de redução de mortes e lesões. Para a APOIA, o período também deve aproximar a segurança veicular do centro do debate sobre prevenção.


