CURITIBA — O julgamento do ex-policial federal Ronaldo Massuia foi interrompido nesta quinta (10), depois que ele tentou tirar a própria vida em uma cela próxima ao plenário do Tribunal do Júri. O réu aguardava o depoimento da última testemunha de acusação quando foi encontrado pelo advogado de defesa, Heitor Luiz Bender.
Massuia foi socorrido por uma ambulância do Samu e encaminhado ao Complexo Médico Penal (CMP), em Pinhais, na Região Metropolitana de Curitiba. A juíza presidente da sessão, Mychelle Pacheco, dissolveu o Conselho de Sentença e recomendou que o acusado permanecesse separado dos demais detentos para avaliação psicológica.
Socorro e investigação
Segundo a defesa, Bender se dirigia ao banheiro por volta das 15h50 quando encontrou Massuia pendurado pelo moletom na cela. O advogado entrou no plenário para pedir ajuda aos policiais. Em seguida, agentes e o assistente técnico da defesa foram até o local e prestaram socorro.
Em nota, Bender rejeitou a hipótese de que o episódio tenha sido encenado para suspender o julgamento. “Houve uma situação concreta de risco à vida, diante da qual a defesa agiu imediatamente para preservar uma vida”, afirmou. As circunstâncias relacionadas à custódia e à segurança de Massuia poderão ser apuradas pelas autoridades competentes.
Um inquérito policial foi instaurado para investigar o ocorrido. As provas produzidas durante o julgamento foram preservadas, e Massuia continuará preso. A última testemunha de acusação, 14 testemunhas de defesa e o próprio réu ainda deverão ser ouvidos na próxima etapa.
O julgamento havia começado na quarta (9) e tinha previsão de terminar nesta sexta (11). O Tribunal de Justiça do Paraná informou que não se manifestará sobre o caso por enquanto.
Acusação e reação da família
Ronaldo Massuia é acusado de atacar uma loja de conveniências de um posto de gasolina no bairro Cristo Rei. O crime ocorreu em 1° de maio de 2022 e causou a morte do fotógrafo André Munir Fritoli, de 32 anos. Outras sete pessoas ficaram feridas. Massuia está preso desde o dia do crime.
Ele responde por homicídio triplamente qualificado e por sete tentativas de homicídio triplamente qualificado. As qualificadoras apontadas são motivo fútil, perigo comum e recurso que dificultou a defesa das vítimas.
Os advogados que representam a família de André afirmaram que a notícia provocou pânico entre as pessoas presentes no Tribunal do Júri, que inicialmente entenderam estar diante de uma situação de risco. A assistência da acusação pediu que o episódio seja rigorosamente investigado e que um novo júri seja marcado com brevidade, com expectativa pela condenação do réu.


