PARANÁ — O El Niño já influencia o clima do Paraná, com previsão de chuvas acima da média concentradas em poucos dias e possibilidade de temporais severos, granizo, raios, enxurradas, cheias repentinas, saturação do solo e movimentos de massa. O alerta consta de boletim divulgado nesta quinta-feira (10) pelo Sistema de Tecnologia e Monitoramento Ambiental do Paraná (Simepar).
A temperatura na área usada pela Administração Nacional Oceânica e Atmosférica Americana (NOAA) para acompanhar o fenômeno chegou a 1,8°C acima da média. Segundo o Simepar, esse valor vem subindo de forma consistente desde abril deste ano.
A probabilidade de o evento ser classificado como muito forte entre a primavera e o verão no Brasil é superior a 90%. Entre outubro e dezembro deste ano, há 75% de chance de que ele seja o mais intenso entre os registrados desde 1950. O pico é esperado entre novembro e janeiro, período em que a NOAA projeta temperatura da superfície do mar 2,9°C acima da média.
Chuva acima da média
Embora a previsão de precipitação acima da média alcance todas as regiões do Paraná, os maiores desvios devem ocorrer no Centro-Sul, no Sul, no Oeste e no Sudoeste. O Simepar ressalta que a distribuição dos episódios depende dos sistemas atmosféricos que atuam em cada período, como frentes frias, sistemas de baixa pressão e sistemas semiestacionários.
Os efeitos já foram observados durante o inverno. Em agosto, entre as estações meteorológicas do Simepar com mais de cinco anos de operação, apenas Cianorte, Maringá e Apucarana registraram chuva abaixo da média. Em Fazenda Rio Grande, Laranjeiras do Sul e no Distrito de Horizonte, em Palmas, os volumes foram os maiores para agosto desde a instalação das respectivas estações, em 2009, 2017 e 2019.
Em julho de 2026, somente Antonina, Cerro Azul, Guaratuba e Guaraqueçaba tiveram volume de chuva abaixo da média histórica. Nas demais estações, a precipitação superou a média. Em Palmas, foram registrados 311 mm, o maior volume para julho desde a instalação da estação na cidade, há 28 anos.
Também houve recordes para julho de 2026 em Altônia, Cianorte, Cornélio Procópio, Cruzeiro do Iguaçu, Foz do Iguaçu e Ubiratã, considerando, respectivamente, os períodos desde 2018, 2017, 2019, 2022, 2017 e 2018.
Em junho deste ano, apenas a estação da Reserva Natural Salto Morato, em Guaraqueçaba, ficou abaixo da média histórica, com 10,2 mm a menos que o valor médio do período.
Acompanhamento contínuo
O Simepar afirma que o El Niño altera os padrões de precipitação e temperatura, mas não produz necessariamente os mesmos impactos em todas as regiões. Por isso, recomenda o acompanhamento diário e contínuo das previsões do tempo e de suas atualizações.
O El Niño – Oscilação Sul (ENOS) ocorre no Oceano Pacífico equatorial e em áreas próximas, a partir de variações anômalas na temperatura da superfície do mar e na circulação atmosférica. O El Niño corresponde ao aquecimento das águas superficiais do Pacífico equatorial em relação à média climatológica. A Oscilação Sul é a componente atmosférica, associada às variações da pressão ao nível do mar entre as porções oeste e leste do Pacífico tropical.


