Uberlândia, Quinta-feira, 1 de outubro de 2026
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Da floresta ao turismo: jovem registra aves e conduz visitantes no Acre

Em Mâncio Lima, Izaias Gomes da Silva transformou a observação de aves em trabalho e ampliou registros de espécies no estado.

Da floresta ao turismo: jovem registra aves e conduz visitantes no Acre
Foto: Arquivo/Marcus Kaschner

A observação de aves levou Izaias Gomes da Silva a uma atividade profissional e também a ampliar o conhecimento sobre a fauna do Acre. Aos 23 anos, o morador de Mâncio Lima conduz visitantes pela área urbana do município e pela Serra do Divisor, apresentando espécies e aspectos da biodiversidade amazônica.

Nascido em Cruzeiro do Sul e criado em Mâncio Lima, Izaias passou boa parte da infância nas proximidades da Serra do Divisor. A relação com a floresta, porém, não significava familiaridade com o birdwatching. O primeiro contato com a prática ocorreu somente em 2024, durante uma oficina de observação e interpretação ambiental realizada em uma comunidade.

“Caí de paraquedas e não conhecia nada sobre o assunto, nunca tinha ouvido falar, na verdade”, contou.

A experiência ganhou outro sentido em 3 de junho daquele ano, quando o jovem participou de uma atividade de campo acompanhada pelo biólogo e ornitólogo Ricardo Plácido. Sons, cores e comportamentos que antes poderiam passar despercebidos começaram a orientar seu olhar. Entre os registros que marcaram o início desse percurso estiveram o surucuá-pavão (Pharomachrus pavoninus) e o capitão-de-bigode-limão (Eubucco richardsoni).

Da descoberta ao trabalho

Depois da oficina, Izaias continuou saindo para observar aves. Na maior parte das vezes, percorria a floresta sozinho e recorria a um aplicativo de celular para identificar as espécies. O apoio de Ricardo Plácido também permaneceu presente. Em junho de 2025, o jovem recebeu kits destinados a auxiliar as observações.

A atividade de condução de visitantes começou cerca de um ano depois do primeiro contato com a observação de aves. A primeira experiência ocorreu em setembro do ano passado. Em 2026, a procura aumentou, e Izaias passou a conduzir grupos regularmente na Serra do Divisor e na área urbana de Mâncio Lima.

A divulgação de expedições e vídeos publicados por canais no YouTube contribuiu para o crescimento do interesse. O jovem também integrou uma expedição ao ponto extremo Oeste do Brasil e à região do Marco 76, na fronteira com o Peru, como parte de uma equipe formada por três condutores.

Em 2025, participou da Feira Internacional de Turismo (Festuris), em Gramado, no Rio Grande do Sul. Na ocasião, ao lado da Secretaria de Turismo do Acre, apresentou a Serra do Divisor como atrativo turístico. Também conduziu uma equipe em uma produção que mostrou a observação de aves entre as possibilidades de visitação do parque.

Registros para o Acre

O trabalho não se limita ao acompanhamento de turistas. Durante as observações, Izaias fez para a plataforma WikiAves a primeira fotografia, no Acre, da choca-preta (Neoctantes niger). Ele também produziu os primeiros registros fotográficos para o estado do socoí-vermelho (Ixobrychus exilis), contribuindo para confirmar a presença da espécie no território acreano.

A plataforma é utilizada como fonte para diferentes levantamentos. Para Izaias, a observação de aves permite reunir informações sobre a avifauna, as espécies e os movimentos migratórios, além de favorecer registros de outros animais encontrados durante as atividades.

Atualmente, ele estima já ter tido contato com mais de 350 espécies que podem ser encontradas na região onde trabalha. A condução dos grupos exige atenção às aves e aos visitantes. Alguns participantes se concentram na fotografia; outros preferem registrar sons ou acompanhar as espécies com binóculos.

Esse perfil variado faz com que o guia adapte o ritmo e a forma de condução em cada saída. Também cabe a ele priorizar o cuidado com as pessoas nas trilhas e manter olhos e ouvidos atentos durante todo o percurso.

“Ainda mais se for acompanhado de pessoas apaixonadas pelas aves como eu”, comentou, ao definir a observação como uma forma de terapia.

A intenção de Izaias é continuar apresentando a biodiversidade amazônica e estimular uma relação de respeito com a fauna. Para quem ainda não conhece a atividade, ele recomenda observar aves livres em seus ambientes naturais e perceber espécies que muitas vezes estão próximas, mas passam despercebidas.

Texto produzido pela Redação Olhar Plural com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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