CAMBÉ (PR) — A tentativa de retirar uma carga de bebidas de um centro de distribuição foi articulada com acesso a sistemas corporativos, falsificação de documentos e participação de um funcionário da empresa. A Polícia Civil do Paraná (PCPR) prendeu cinco suspeitos nesta quinta-feira, 17 de setembro, em Londrina e Curitiba, no Paraná, e em Soledade, no Rio Grande do Sul.
A carga, pertencente a uma rede varejista de supermercados, era avaliada em R$ 1 milhão. O caso ocorreu em 16 de dezembro de 2025, no centro de distribuição situado em Cambé, no Norte do Estado. O caminhão chegou a ser preparado para a saída, mas o furto não foi concluído porque inconsistências foram identificadas antes que o veículo deixasse o local.
Invasão de contas e documentos falsos
De acordo com a investigação, os suspeitos invadiram o e-mail corporativo de um gestor da rede. Com isso, obtiveram credenciais de acesso e códigos de autenticação em duas etapas, usados para interceptar documentos e ordens de faturamento.
O grupo também teria utilizado números de telefone registrados em nome de terceiros para criar, em um aplicativo de mensagens, um perfil falso de uma funcionária responsável pela liberação de cargas. A partir desse perfil, foram enviadas ordens fraudulentas aos operadores do pátio logístico.
Para tentar conferir aparência regular à operação, os investigados providenciaram notas fiscais falsas e as levaram ao centro de distribuição. Os documentos seriam usados para passar pela portaria e autorizar a saída do caminhão contratado pelo grupo.
A PCPR informou que a fraude contou com a participação direta de um funcionário do setor de logística da empresa vítima. Segundo o delegado André Feltes, ele conhecia os fluxos de trabalho, as rotinas de carregamento e os sistemas internos, e atuou na elaboração do plano e na neutralização da vigilância.
Os investigados são apurados por furto qualificado por fraude, abuso de confiança e concurso de pessoas, além de associação criminosa. Foram cumpridos cinco mandados de prisão preventiva e cinco de busca e apreensão. As diligências recolheram dispositivos eletrônicos, mídias digitais, veículos e documentos, além de reunir provas para verificar o possível envolvimento de outras pessoas.


