CURITIBA — A manutenção dos rios de Curitiba soma 350 intervenções desde janeiro de 2025, com serviços realizados em 106.724 metros de cursos de água. As equipes retiram sedimentos, resíduos e outros materiais que podem dificultar a passagem da água, em uma programação permanente da rede hidrográfica municipal.
A prefeitura intensificou a estratégia neste ano diante da possibilidade de ocorrência de um Super El Niño, fenômeno que pode contribuir para períodos de chuvas mais intensas. A proposta é preservar a capacidade de escoamento dos rios e diminuir os efeitos de grandes volumes de chuva sobre o sistema de drenagem.
Frentes em andamento
Atualmente, há trabalhos nos rios Vila Formosa, Bacacheri e Ribeirão dos Padilhas. As intervenções estão relacionadas, respectivamente, às bacias dos rios Barigui, Atuba e Belém. A programação municipal alcança cinco bacias hidrográficas: Atuba, Barigui, Belém, Ribeirão dos Padilha e Iguaçu.
As ações são coordenadas pelo Departamento de Pontes e Drenagem da Secretaria Municipal de Obras Públicas (Smop) e fazem parte do Programa de Requalificação e Obras de Curitiba (PRO Curitiba). As equipes definem os pontos de atuação a partir das necessidades identificadas em campo. Escavadeiras hidráulicas e grupos de apoio são usados na maior parte dos serviços.
No Rio Vila Formosa, no Fazendinha, está em conclusão uma intervenção de aproximadamente 1,3 km. O trabalho começou no fim de julho e entrou na fase de retirada dos materiais colocados temporariamente nas margens para secagem. Em uma etapa, foram atendidos 600 metros a partir da ponte da Rua Carlos Klemtz, com a remoção de cerca de 500 metros cúbicos de resíduos. Em outra, mais 700 metros receberam o serviço, que retirou aproximadamente 600 metros cúbicos de material. A ação alcança moradores do Portão, Fazendinha, Santa Quitéria e CIC.
No Rio Bacacheri, que nasce no bairro Cachoeira e deságua no Rio Atuba, uma intervenção mecânica atendeu aproximadamente 400 metros entre as ruas Carlota Straube de Araújo e Professor Omar Gonçalves da Mota. O serviço ocorreu de 24 de agosto ao início de setembro e retirou cerca de 150 metros cúbicos de resíduos.
Ribeirão dos Padilhas
No Ribeirão dos Padilhas, o desassoreamento se estende por aproximadamente 440 metros, na região da Rua Guaçuí, no Ganchinho, entre as ruas Miguel Rossetim e Ana Iolanda de Conto Mangy. O trabalho começou na primeira semana de junho e já retirou cerca de 110 caminhões de material, principalmente sedimentos acumulados no fundo do rio, além de lixo e pneus.
O curso de água nasce no Capão Raso, atravessa bairros como Xaxim, Sítio Cercado, Pinheirinho, Alto Boqueirão, Bairro Novo e Ganchinho, e segue até o Rio Iguaçu. A previsão é que o serviço seja concluído na próxima semana. Depois, a equipe deve atuar no Rio Belém, entre a Rua Arlindo Natal, no Uberaba, e a Rua Dr. Bley Zornig, no Boqueirão.
Margarete Martin Silva, engenheira da Smop responsável pela fiscalização, afirmou que a manutenção periódica contribui para preservar a capacidade de escoamento do ribeirão e reduzir riscos de alagamentos. “As ações de desassoreamento são constantes”, disse.
Também houve uma intervenção emergencial no cruzamento das ruas Vicente Cicarino e Alberto Potier, no Boa Vista. Parte do muro de contenção da margem havia caído para dentro do rio e prejudicado o fluxo da água; o material foi removido pelas equipes.
Manutenção e descarte
Para Paulo Vitor Lucca, diretor do Departamento de Pontes e Drenagem da Smop, a continuidade dos serviços ajuda a preparar a cidade para eventos climáticos mais severos, sobretudo no verão, quando as chuvas intensas pressionam o sistema de drenagem. A programação, embora concentrada em três bacias neste momento, se estende por toda a rede hidrográfica de Curitiba.
A prefeitura também orienta os moradores a evitar o descarte irregular de lixo, restos de obras, móveis e entulhos. Esses materiais podem obstruir rios e galerias e elevar o risco de alagamentos. Denúncias podem ser registradas pelo telefone 156.
A cidade dispõe ainda de 13 Ecopontos, que recebem restos de construção civil, como caliça e madeira, resíduos de poda e limpeza de jardins, móveis, eletroeletrônicos sem uso e óleo de cozinha.


