PIDDINGTON — A antiga Base Aérea de Bicester tornou-se o centro de uma disputa entre o governo britânico e os moradores de Piddington, no condado de Oxfordshire. O local, pertencente ao Ministério da Defesa e situado a menos de um quilômetro do vilarejo, foi escolhido para um possível centro de acolhimento de requerentes de asilo.
A reação da comunidade foi apresentada em um referendo sem valor legal. Realizada nesta terça-feira, 15, a consulta recebeu 285 votos favoráveis à separação simbólica do Reino Unido e 26 contrários. A participação ficou próxima de 92% do eleitorado de uma localidade com aproximadamente 350 habitantes. O resultado foi divulgado na quarta-feira, 16.
A proposta para a base
O plano do governo prevê receber até 1.256 solicitantes de refúgio do sexo masculino na antiga instalação militar. O Executivo afirma que o centro foi planejado para operar de forma praticamente independente, com o objetivo de limitar os efeitos sobre a rotina das áreas próximas.
A instalação fica a 80 quilômetros da capital britânica, em uma região considerada de alto padrão. Entre os moradores, há preocupação com possíveis riscos de criminalidade e com uma eventual desvalorização dos imóveis.
Tim McNally, presidente do Conselho Paroquial de Piddington, anunciou que o vilarejo adotará informalmente o nome de “Principado de Piddington”. Após a votação, ele declarou: “Enviamos uma mensagem poderosa, não apenas para a região e o país, mas para o mundo inteiro”.
Governo mantém decisão em aberto
O primeiro-ministro Andy Burnham reconheceu a intensidade do debate sobre imigração no Reino Unido, mas não se comprometeu a modificar o projeto. A secretária de Cultura, Lisa Nandy, afirmou que o resultado da consulta não mudará os planos oficiais.
Nandy também ressaltou que ainda não existe decisão final sobre o uso da base. A consulta pública sobre a proposta permanece aberta até esta sexta-feira, 18.
Um morador de 76 anos, Herbert Owen, comparou a mobilização à resistência do país durante a Segunda Guerra Mundial e disse que ela representa aquilo “pelo que nossos avós e pais lutaram”. Joe Marshall, vereador, afirmou que, se o diálogo com o governo não avançar, Piddington poderá eleger representantes próprios e criar documentos de identificação para reforçar a ideia de autonomia.


