RIO DE JANEIRO — Candidato à reeleição para deputado estadual pelo PSD, Claudio Caiado defende que a reorganização do sistema prisional seja o primeiro passo para enfrentar a crise da segurança pública no Estado do Rio de Janeiro. Entre as medidas citadas estão o bloqueio da comunicação entre presos e integrantes de facções nas ruas, o uso ampliado de tecnologia nas unidades e a oferta de trabalho aos detentos.
Aos 50 anos, Caiado conclui o primeiro mandato na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj). Ele afirmou ter sido eleito com aproximadamente 48 mil votos e destacou a experiência como secretário municipal de Habitação durante a gestão de Eduardo Paes. Na entrevista, também falou sobre propostas para motoristas de aplicativo, moradia popular, educação técnica, saúde, combate ao furto de cabos e transporte sobre trilhos.
Segurança e sistema prisional
Caiado avaliou que os presídios fluminenses precisam voltar a cumprir funções de punição e ressocialização. Como referência, mencionou o sistema penitenciário de Goiás, onde, segundo ele, são usados scanners e outras tecnologias para impedir a entrada de celulares. O deputado também citou as condições das revistas durante as visitas e a manutenção de atividades profissionais para os presos.
Na avaliação do candidato, facções ainda conseguem influenciar o interior das cadeias no Rio e transmitir ordens para criminosos em liberdade. O Governo do Estado anunciou a criação de 5.128 vagas no sistema prisional até o fim de 2028, em medidas relacionadas ao Plano Pena Justa. Outra operação em unidades fluminenses mobilizou 700 policiais e apreendeu 165 celulares. O programa inclui ainda scanners corporais, drones e sistemas de varredura.
Isenção de IPVA e moradia
O Projeto de Lei 8.321/2026, de autoria de Caiado, prevê isenção de IPVA para profissionais autônomos que tenham o transporte ou a entrega por aplicativo como única fonte de renda e faturamento anual de até R$ 200 mil. A proposta estabelece, entre os critérios, pelo menos um ano de atuação na plataforma e uma quantidade regular de viagens.
O deputado também destacou sua participação na criação do programa IPVA em Dia, ao lado de Luiz Paulo. A iniciativa permite parcelar débitos atrasados em até 12 vezes, sem juros, com a liberação do licenciamento após o pagamento da primeira parcela.
Na habitação, Caiado defendeu a retomada da produção de moradias para famílias de menor renda. Segundo ele, o déficit habitacional no Estado estaria próximo de 500 mil unidades. O candidato citou o Morar Carioca, voltado à urbanização de áreas de especial interesse social, e o Casa Carioca, destinado a pequenas reformas em imóveis sem condições adequadas de habitabilidade.
Em março, 64 famílias receberam imóveis do Morar Carioca do Aço, em Santa Cruz. Caiado também cobrou a participação do Governo Federal na construção de unidades e defendeu incentivos para empreendimentos destinados às faixas de renda mais baixas do Minha Casa, Minha Vida.
Educação e saúde
Para a educação, a proposta é revitalizar a Fundação de Apoio à Escola Técnica (Faetec), com o objetivo de ampliar a formação profissional em setores que enfrentam falta de mão de obra qualificada. Caiado ainda defendeu a expansão do ensino médio em tempo integral e a contratação de mais mediadores para acompanhar estudantes autistas, com TDAH e outras neurodivergências.
O candidato propôs cursos especializados para mães atípicas e medidas de apoio a familiares que precisem reduzir ou abandonar a atividade profissional para cuidar dos filhos.
Na saúde, Caiado defendeu a ampliação das clínicas da família e dos centros especializados em Benfica, Campo Grande e Piedade. Também propôs um prontuário eletrônico único, acessível por unidades municipais, estaduais e particulares autorizadas. A medida, segundo ele, permitiria reunir informações sobre alergias, tratamentos anteriores e histórico dos pacientes, evitando perguntas e exames repetidos.
Furtos de cabos e transporte
Caiado defendeu que o combate ao furto de fios e equipamentos urbanos alcance os estabelecimentos que compram e revendem os materiais. Ele é autor de um projeto que amplia punições administrativas contra ferros-velhos e outros locais flagrados com cobre, cabos e equipamentos furtados. A legislação permite a interdição e prevê fechamento definitivo em caso de reincidência, após o devido processo legal.
O deputado estimou que a cadeia ilegal movimente cerca de R$ 400 milhões por ano. Em setembro, uma operação fechou ferros-velhos ilegais no Sampaio e apreendeu materiais.
Na mobilidade, Caiado defendeu a construção da Linha 3, entre a capital, Niterói e São Gonçalo, além da extensão do metrô da Barra da Tijuca até o Recreio dos Bandeirantes. Um estudo apresentado na Câmara do Rio estimou que o corredor poderia encurtar em até 85% o tempo de alguns deslocamentos. A proposta elaborada pela Coppe/UFRJ teria cerca de 50 quilômetros e 29 estações, conectando Rio, Niterói, São Gonçalo e Itaboraí.
O candidato também propôs aproveitar lagoas e canais para criar um sistema de transporte aquaviário integrado ao metrô, com conexões entre Jacarepaguá, Barra da Tijuca, Recreio e Vargens.
Estratégia eleitoral
Caiado estima que o PSD possa conquistar entre 11 e 12 cadeiras na Alerj e eleger de seis a sete deputados federais pelo Rio de Janeiro. Ele declarou apoio a Eduardo Paes para o Governo do Estado e afirmou que o ex-prefeito deve ter a oportunidade de levar à administração estadual o modelo de gestão aplicado na capital.
Sobre a presidência da Alerj, o deputado disse que o PSD tem nomes capazes de disputar o comando da Casa, mas defendeu que a negociação ocorra depois do resultado das urnas. Também reconheceu que o PL deverá formar uma bancada numerosa e afirmou que Executivo e Legislativo precisam preservar a independência e manter uma relação institucional para aprovar projetos.
Ao pedir a renovação do mandato, Caiado afirmou que pretende continuar atuando nas áreas de segurança, habitação, saúde, educação, mobilidade e redução de impostos para trabalhadores.


