A alta do petróleo acompanhou nesta quarta-feira, 9, a escalada militar entre Estados Unidos e Irã. O barril do tipo Brent ultrapassou os 100 dólares, patamar que não era registrado desde julho, depois de o Irã afirmar que atingiu dez embarcações no Estreito de Ormuz, rota estratégica para o transporte de petróleo.
A ação foi apresentada por Teerã como resposta ao afundamento de cinco petroleiros ligados ao país por tropas americanas. O conflito, iniciado em 28 de fevereiro por forças dos Estados Unidos e de Israel, já se prolonga há sete meses.
Donald Trump afirmou que as hostilidades devem terminar logo depois das eleições legislativas de 3 de novembro. Para o presidente americano, o Irã tenta prolongar a guerra com o objetivo de influenciar a formação do Congresso dos Estados Unidos e favorecer parlamentares dispostos a permitir avanços iranianos na obtenção de armamento nuclear.
“Estão desesperados para tentar influenciar as eleições”, declarou Trump a jornalistas antes de embarcar para o Texas, onde participaria de uma convenção do Partido Republicano. Ele também disse que a conclusão do conflito poderia reduzir os preços da energia. O galão de gasolina, hoje acima de quatro dólares, poderia custar menos de dois dólares depois do fim das hostilidades.
Negociações e pressão política
Questionado sobre uma eventual retomada das conversas com Teerã, Trump não descartou a possibilidade, mas afirmou que essa não é a prioridade de seu governo. Washington e Teerã mantiveram contatos diplomáticos durante o conflito e assinaram um memorando de entendimento em junho. O documento não evitou a retomada dos ataques, enquanto o Estreito de Ormuz continuou diretamente afetado pela confrontação.
A prolongação da guerra ocorre em meio à pressão sobre os republicanos, associada ao aumento do custo de vida e dos combustíveis.
Na mesma ocasião, Trump comentou a conversa telefônica que manteve na terça-feira com Vladimir Putin sobre a guerra entre Rússia e Ucrânia. Segundo o presidente americano, Putin demonstrou disposição para um acordo de paz, desde que Volodimir Zelensky adote posição semelhante.
Trump atribuiu o principal impasse ao desgaste pessoal entre os dois líderes e disse que ambos demonstram cansaço com a continuidade dos combates. Ele classificou o diálogo com o presidente russo como positivo.


