A Câmara dos Comuns rejeitou, por 286 votos contra 270, o projeto que pretendia legalizar a ajuda para morrer na Inglaterra e no País de Gales. A votação ocorreu nesta sexta-feira, 11, após uma sessão de quatro horas marcada por relatos emocionados.
A proposta permitiria o procedimento apenas a pacientes com prognóstico de vida inferior a seis meses. Para ter acesso, seria necessário obter a aprovação de dois médicos e de um painel de especialistas. A substância letal também teria de ser administrada pelo próprio paciente.
Disputa no Parlamento
O projeto já havia sido aprovado em junho de 2025, em uma votação apertada, mas acabou paralisado na Câmara dos Lordes e foi engavetado em abril deste ano. Em meados de junho, uma parlamentar do Partido Trabalhista reapresentou o texto praticamente sem alterações.
O premiê Andy Burnham, que ocupa o cargo desde julho, decidiu não votar. Ele afirmou que sua participação poderia influenciar o debate. O governo trabalhista manteve posição neutra e liberou os parlamentares para seguir suas convicções pessoais.
Durante a sessão, Janet Daby, também do Partido Trabalhista, disse ter mudado de posição desde as votações anteriores. Ela relatou ter enfrentado “pesadelos sobre a morte e o ato de morrer” depois de apoiar a proposta no passado.
Lauren Edwards, responsável por reapresentar o projeto, criticou a decisão e afirmou que a legislação atual, que prevê pena de até 14 anos de prisão para quem auxilia alguém a morrer, é “simplesmente cruel e injusta demais para ser mantida como está”.
A organização Dignity in Dying, favorável à mudança, classificou o resultado como “um revés devastador para as pessoas no fim da vida”. Já o grupo Assist Us To Live, formado por pessoas com deficiência e doentes terminais, comemorou a rejeição e disse que ela protege aqueles que poderiam ser colocados em risco pela nova regra.
Levantamento do instituto Ipsos realizado em 7 de setembro apontou que dois em cada três britânicos apoiam, em princípio, a legalização. Com a proibição mantida, o Reino Unido continua distante de Bélgica, Canadá, Suíça e Uruguai, que permitem alguma forma de ajuda para morrer. Jersey e Man aprovaram textos semelhantes, ainda pendentes de sanção real. Em março, o Parlamento escocês rejeitou proposta equivalente por 69 votos a 57.


