HAVANA — A redução no fornecimento de combustíveis agravou a geração de eletricidade em Cuba, onde apagões passaram a durar dias seguidos. O chanceler Bruno Rodríguez afirmou que o impacto das restrições deve aumentar nos primeiros meses de 2026 e relacionou a situação às medidas impostas pelos Estados Unidos.
Rodríguez descreveu os efeitos sobre a população durante uma coletiva na capital cubana. “Significa longos meses vivendo com apenas 2 ou 3 horas de eletricidade por dia ou menos, comida estragando, calor que torna impossível dormir, crianças fazendo o dever de casa quase no escuro”, disse.
O ministro também informou que as perdas para a economia cubana chegaram a US$ 8,1 bilhões em 2025, alta de 7% em relação ao ano anterior. Ele classificou o embargo comercial americano, em vigor desde a revolução de 1959, como um bloqueio de caráter genocida.
Sem agenda de negociação
Segundo o chanceler, Cuba não mantém conversas com os Estados Unidos e não há previsão para a retomada dos contatos. Rodríguez afirmou que Havana continua disposta a manter algum tipo de comunicação, embora não tenha havido avanços.
O governo de Donald Trump é apontado pelo ministro como responsável pelo corte no fornecimento de combustíveis que afetou a produção de energia. O Departamento de Estado americano não havia se pronunciado sobre as declarações.
Washington considera a administração cubana uma ameaça à segurança nacional e defende o endurecimento das sanções como instrumento para pressionar mudanças no regime. O governo americano acusa Havana de restringir direitos econômicos e civis da população.
Saúde e abastecimento
A Organização das Nações Unidas classificou as sanções e as restrições energéticas como uma violação do direito internacional. Em agosto, especialistas do organismo alertaram para o aumento do risco de surtos de doenças na ilha com o agravamento das medidas.
Moradores de diferentes regiões relatam há meses episódios de diarreia, febre e dores no corpo, associados a falhas no abastecimento de água e energia. Na sexta-feira, 4, a Embaixada dos Estados Unidos em Havana divulgou um alerta sanitário sobre o crescimento de doenças intestinais no país.


