A ação passou a ocupar posição central na proposta de intervenção da redação do Enem. A orientação aparece na recém-divulgada Cartilha de Redação do Inep (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira), que reforça a necessidade de apresentar uma iniciativa concreta para enfrentar o problema discutido no texto.
O que deve aparecer na proposta
A proposta de intervenção é avaliada na Competência 5, dedicada à sugestão de uma medida que enfrente a situação apresentada, respeitando os direitos humanos. Para atender a esse requisito, o candidato deve articular cinco elementos no último parágrafo, em sintonia com o ponto de vista desenvolvido na redação.
O agente é aquele que deverá agir, como um órgão do governo federal, uma empresa ou a sociedade civil. A ação corresponde ao que será feito para enfrentar o problema e, segundo o Inep, tornou-se o elemento mais importante entre os componentes da proposta. Caso seja omitida ou pouco desenvolvida, pode haver perda de pontos.
Também devem ser considerados o meio ou modo, que explica como a iniciativa será colocada em prática; o detalhamento, responsável por acrescentar uma informação aos demais elementos; e a finalidade, que indica o resultado pretendido.
A cartilha apresenta seis perguntas que podem orientar a elaboração da proposta: qual solução pode ser apresentada; que ação deve ser tomada; quem deverá executá-la; como viabilizá-la; qual efeito poderá ser alcançado; e que informação adicional pode detalhar a ideia. A Competência 5 vale 200 pontos.
Propor não é apenas constatar
O documento diferencia uma proposta de intervenção de uma simples constatação. Propor significa apresentar, sugerir ou recomendar uma ideia, medida, plano ou solução a ser realizada. Constatar, por outro lado, é verificar, reconhecer ou comprovar a existência de um fato ou situação.
Por isso, afirmar apenas que faltam investimentos em determinada área não configura uma intervenção. A banca busca identificar uma ação propositiva, que deve estar explícita e relacionada ao problema desenvolvido na redação.
A orientação também recomenda evitar propostas vagas, genéricas ou incompatíveis com a discussão. Estruturas que não deixem claro se há, de fato, uma iniciativa — como condicionais que apenas indiquem uma possibilidade de resultado — podem não atender ao objetivo da competência. A proposta precisa expor com clareza a intenção de intervir na realidade e contemplar a situação problematizada ao longo do texto.

