Uberlândia, Quinta-feira, 1 de outubro de 2026
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Ed Motta retoma o português no álbum Toc-Toc após 13 anos

Cantor afirma que o disco nasceu de uma escolha estética e combina pop, electrofunk, soul brasileira e jazz.

Ed Motta retoma o português no álbum Toc-Toc após 13 anos
Foto: Jorge Bispo/Divulgação

Ed Motta lançou Toc-Toc, seu 15º álbum de carreira e o primeiro com canções em português em 13 anos. O disco marca o retorno do cantor, compositor e multi-instrumentista carioca, de 55 anos, a uma língua que ele imaginava não voltar a gravar. A decisão, segundo Motta, foi estética.

O álbum nasceu de músicas que estavam reunidas em pastas no celular e na memória do artista. Entre elas, havia uma chamada “metida a MPB” e outra dedicada ao jazz. Desta vez, foi o repertório pop que avançou com mais força. “Isso vai ser um petardo”, afirmou Motta ao lembrar o momento em que percebeu que faria novamente canções populares em português.

Entre o pop e o jazz

Lançado pelo selo alemão MPS, Toc-Toc foi produzido praticamente por Motta e Michel Limma. Os dois gravaram a maior parte dos instrumentos. O trabalho tem 11 faixas, dez delas com letras assinadas por Edna Lopes, mulher do músico. Leoni participa como parceiro em Glamour Hotel, composição feita há 30 anos e lançada apenas agora.

A sonoridade passa por batidas eletrônicas, pelo electrofunk dos anos 1980 e pela soul music brasileira, mas também se aproxima do jazz. O resultado não é tão pop quanto Manual Prático Para Festas, Bailes e Afins, de 1997, As Segundas Intenções do Manual, de 2000, e Piquenique, de 2009. Também não adota o caráter tão “barroco” de Behind the Tea Chronicles, álbum de 2023.

A relação com Edna Lopes envolve concordâncias, discordâncias e, às vezes, brigas que terminam diante de uma taça de vinho. Motta afirma, porém, que a bebida não participa do processo criativo: “Não bebo em serviço. Vinho é para lazer. Ele não me inspira.”

O músico também rejeita os chamados campings de composição, reuniões nas quais vários compositores trabalham juntos para criar músicas. Ele diz preferir uma criação com menos participantes e compara esse tipo de encontro a uma “suruba opinativa”. A parceria com Rita Lee, em músicas como Fora da Lei e Colombina, ocorreu a distância.

Felicidade, mar e referências musicais

A atmosfera de Toc-Toc é associada por Motta à felicidade. Uma das faixas se chama Eu Quero Ser Feliz, enquanto outras trazem expressões como “estou feliz pra valer” e “aproveitar o deslumbre”. O cantor descreve o disco como uma dose forte de Prozac e diz que as próprias músicas pediram esse sentimento.

Casa de frente pro mar, inspirada na bossa nova, é aproximada por Motta do pagode dos anos 1990 e de um samba estilizado. Ele também elogiou Belo e Péricles, ligados ao pagode, e comparou o Exaltasamba, ex-grupo de Péricles, ao Earth, Wind & Fire brasileiro.

A Marina Acende homenageia João Donato. A música já havia sido gravada em versão instrumental pela cantora e pianista Carol Saboya, com o título Patinete. A letra menciona um “patinete de acender”, expressão relacionada ao “baurete”, apelido dado por Tim Maia ao cigarro de maconha. Motta afirma que nunca fumou e que a fumaça prejudica a degustação de vinho.

As mulheres também aparecem como referências importantes para o artista. Ele cita as pianistas Geri Allen e Mary Lou Williams, a trombonista Melba Liston, a organista Trudy Pitts e a saxofonista e cantora Vi Redd. Todas são americanas, e a maioria é formada por instrumentistas.

Motta diz preferir o canto norte-americano e demonstra interesse pelo modo como esses intérpretes tratam a melodia. Entre as cantoras brasileiras, destaca Deise Cipriano, do Fat Family. Em sua coleção de vinis, mantém nomes da bossa nova como Tom Jobim, Carlos Lyra, Johnny Alf e Nara Leão. Também admira Chico Buarque e Edu Lobo, além de afirmar que prefere a música harmônica à rítmica.

A relação com a exposição pública

O cantor se disse surpreso com a recepção ao novo álbum e contou acompanhar as métricas de desempenho. Para ele, esses números produzem uma sensação de informação e de possibilidade de mudança, embora não alterem necessariamente o resultado.

Motta também afirma não acompanhar a política brasileira ou mundial. Seu interesse, segundo ele, está concentrado naquilo que pode controlar: a música. A estética ligada a pessoas de paletó e camisa branca tampouco o atrai.

A recepção a Toc-Toc ocorreu depois de um episódio em maio deste ano, quando o cantor se envolveu em uma cena de violência em um restaurante do Rio de Janeiro. Irritado com a cobrança da taxa de rolha do vinho consumido com amigos, ele arremessou uma cadeira. Dias depois, um áudio revelou que Motta havia usado o termo xenofóbico “paraíba” para se referir a um funcionário do estabelecimento.

Ele classifica o episódio como uma “fatalidade” e diz querer deixá-lo no passado. Pouco menos de um mês depois da confusão, apresentou-se no Circo Voador, no Rio de Janeiro. O espaço, no bairro da Lapa, estava lotado. Durante o show, alguém lançou uma rolha de vinho ao palco.

A cena reforçou a relação do músico com a exposição. Motta afirma gostar da confusão e de aparecer nas manchetes. Diz que precisa estar na capa e recorda ter chorado na primeira vez em que viu seu nome publicado dessa maneira.

Essa disposição para o destaque, segundo ele, existe desde a infância. Na escola, dizia aos colegas que ficaria conhecido e que todo o país cantaria Vamos Dançar, música que traz o verso “eu não nasci pra trabalho”. Para Motta, a dúvida não faz parte de suas escolhas. Ele se define como alguém guiado rapidamente pela solução e pela espontaneidade ao compor.

Texto produzido pela Redação Olhar Plural com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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