A escritora chinesa Can Xue lidera as apostas para o Prêmio Nobel de Literatura de 2026, de acordo com a consulta mais recente da Ladbrokes. Haruki Murakami e Thomas Pynchon aparecem entre os nomes que também concentram as expectativas do mercado antes do anúncio da Academia Sueca, previsto para a próxima semana.
As cotações não representam vazamentos, indicações oficiais ou informações sobre a votação. As deliberações do Nobel permanecem confidenciais por 50 anos. As probabilidades são estabelecidas pelas casas de apostas e podem mudar conforme o comportamento do mercado. Na escala usada pela Ladbrokes, uma cotação menor corresponde a uma probabilidade implícita maior.
Os dez primeiros nomes
Can Xue, pseudônimo de Deng Xiaohua, nasceu em 1953 e é conhecida por uma literatura experimental e surrealista. Autodidata, trabalhou em fábrica, foi professora e alfaiate antes de iniciar sua trajetória literária, no começo dos anos 1980. Sua cotação é de 10/1. Para conhecê-la, a indicação é Histórias de Amor no Novo Milênio, publicado pela Fósforo.
Haruki Murakami aparece em segundo lugar, com 14/1. O romancista japonês combina realismo, elementos fantásticos e referências à cultura pop em narrativas povoadas por personagens marcados pela solidão. Norwegian Wood e Kafka à Beira-Mar, da Alfaguara, estão entre as portas de entrada sugeridas para sua obra.
O australiano Gerald Murnane e o norte-americano Thomas Pynchon têm cotação de 16/1. Murnane é associado a uma prosa contemplativa e introspectiva, centrada nas relações entre memória, imaginação e paisagem. As Planícies foi publicado pela Todavia. Pynchon, um dos principais nomes do pós-modernismo, é reconhecido pela complexidade narrativa, pelo humor, pela erudição e pela reclusão. A recomendação é O Leilão do Lote 49, da Companhia das Letras.
Cristina Rivera Garza e Enrique Vila-Matas aparecem com 20/1. Mexicana, Rivera Garza recebeu, em 2024, o Prêmio Pulitzer de Memórias ou Autobiografia por O Invencível Verão de Liliana, que articula memória, investigação e documentação sobre o assassinato de sua irmã. A obra é publicada pela Autêntica Contemporânea. Vila-Matas, escritor espanhol, transita pela metaficção e por narrativas que misturam ensaio, ficção e reflexão sobre a escrita. Bartleby e Companhia, da Companhia das Letras, é a indicação para começar.
Também com 20/1 está Lídia Jorge, escritora portuguesa cuja obra aborda a memória, as transformações sociais e os efeitos da Revolução dos Cravos. Em 2026, ela recebeu o Prêmio Camões. Entre as sugestões estão Misericórdia e Diante da Manta do Soldado, ambos da Autêntica Contemporânea.
A russa Ludmila Ulitskaya, autora de romances e contos sobre relações familiares e mudanças na sociedade russa ao longo do século 20, aparece na mesma faixa de cotação. Sua posição pública diante do autoritarismo russo também contribuiu para sua projeção internacional. Meninas, da Editora 34, é a recomendação indicada.
Completam a lista Margaret Atwood e Michel Houellebecq, igualmente cotados em 20/1. Canadense, Atwood é conhecida por uma obra que explora poder, gênero, política e relações sociais; venceu o Booker Prize e tem em O Conto da Aia, da Rocco, uma de suas obras mais conhecidas. Francês, Houellebecq aborda individualismo, relações afetivas, sexualidade, religião e transformações da sociedade contemporânea. A indicação para sua obra é Partículas Elementares, da Editora Alfaguara.


