Uberlândia, Sexta-feira, 2 de outubro de 2026
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Cultura

Entre luto, inteligência artificial e recomeços: oito livros para a primavera

A seleção reúne romances e não ficção sobre escrita, envelhecimento, amor, perdas, cuidado e transformação.

Entre luto, inteligência artificial e recomeços: oito livros para a primavera

A primavera pode ser um ponto de partida para histórias sobre mudanças íntimas. Entre os livros selecionados estão uma ficção japonesa em torno de uma livraria que aparece e desaparece, um romance sobre o luto, uma investigação sobre os finais e narrativas que atravessam a escrita, o amor, a inteligência artificial e a sobrevivência.

As obras têm propostas distintas. Algumas se aproximam da esperança por meio de relações afetivas; outras observam a passagem do tempo, as perdas e a necessidade de reconstruir a própria vida.

O cuidado como transformação

Em A Inexplicável Livraria da Cerejeira, Takuya Asakura cria uma pequena livraria que surge durante a temporada das flores de cerejeira e só pode ser encontrada por quem lê um trecho de um livro. O espaço acolhe pessoas marcadas por traumas ainda não curados, entre elas personagens que enfrentam o luto e a separação.

A ficção de cura acompanha essas pessoas enquanto elas encontram na livraria algo capaz de alterar profundamente suas trajetórias. A obra foi publicada pela Harlequin, com tradução de Ayumi Anraku, e tem 192 páginas.

A perda também está no centro de Como Navegar o Abismo, de Paula Gicovate. Nara, uma chefe de cozinha, retorna a Fontana, cidade do interior do Rio onde nasceu, depois da morte da mãe por uma doença grave. A volta a aproxima de familiares e amigos de infância, ao mesmo tempo que a conduz por sentimentos como raiva, dor e incerteza.

O romance acompanha o processo de luto e a transformação da personagem, que precisa lidar com as marcas do passado e com a possibilidade de se redescobrir. O livro saiu pela Record e tem 208 páginas.

Histórias sobre tempo, amor e cuidado

Geoff Dyer parte da aposentadoria do tenista Andy Murray para pensar sobre o encerramento de experiências, carreiras e obras. Em Os Últimos Dias de Roger Federer e Outros Finais, o escritor inglês combina relatos de personalidades, comentários sobre trabalhos finais ou inacabados e episódios pessoais ligados à chegada da idade.

A obra, publicada pela Companhia das Letras, examina o momento de terminar uma paixão, os limites físicos de artistas e atletas e a permanência da beleza e da criação artística. A tradução é de Denise Bottmann, e o livro tem 352 páginas.

Já Uma Canção de Amor para Ricki Wilde, de Tia Williams, acompanha uma herdeira de um império de casas funerárias que abandona os negócios da família para abrir uma floricultura. Ao seguir o cheiro de dama-da-noite, Ricki conhece Ezra, um pianista misterioso com quem estabelece uma ligação imediata.

Com elementos de realismo mágico, o romance alterna o presente e o passado. A história passa pelo Harlem contemporâneo e pelo período do Renascimento do Harlem, movimento cultural, social e artístico afro-americano associado à década de 1920 nos Estados Unidos. A edição da Verus tem tradução de Carolina Candido e 364 páginas.

Em Klara e o Sol, Kazuo Ishiguro imagina uma inteligência artificial criada para aliviar a solidão humana. Klara passa os dias em uma vitrine até ser escolhida para acompanhar Josie, uma adolescente com uma doença misteriosa que a deixa cada vez mais vulnerável.

A robô decide procurar uma cura para a enfermidade da garota. Publicado em 2021, o romance aborda o significado do amor e do cuidado e deu origem a um filme com chegada aos cinemas em 22 de outubro. A edição da Companhia das Letras foi traduzida por Ana Guadalupe e tem 336 páginas.

A escrita diante da própria vida

Publicado originalmente em 1962, Caderno Proibido, de Alba de Céspedes, acompanha Valeria, uma mulher de classe média que vive na Roma dos anos 1950. Ao sair para comprar cigarros para o marido, ela retorna com um caderno preto adquirido ilegalmente.

O objeto se transforma em diário. Valeria passa a registrar as brigas com os filhos, o desinteresse do marido e a rotina no escritório. À medida que escreve, começa a perceber uma transformação profunda em si mesma. O livro, lançado pela Companhia das Letras, tem tradução de Joana Angélica d’Avila Melo e 288 páginas.

Agatha Christie publicou Ausência na Primavera sob o pseudônimo de Mary Westmacott. A protagonista, Joan Scudamore, é uma dona de casa que volta à Inglaterra depois de visitar a filha em Bagdá.

Uma inundação nas ferrovias a deixa isolada em uma pousada no deserto. Sem poder seguir viagem, Joan passa a confrontar o casamento com Rodney, a relação com os filhos e a distância entre a imagem que construiu de si e aquilo que realmente é. A obra foi traduzida por Jorge Ritter para a edição da L&PM, que tem 224 páginas.

Uma vida atravessada pela história

Em Violeta, Isabel Allende narra a trajetória de uma mulher centenária que viveu entre a gripe espanhola e a pandemia do novo coronavírus. Em uma carta dirigida à pessoa que mais ama, Violeta Del Valle revisita perdas, alegrias, relações amorosas e lutas pela sobrevivência.

A experiência individual se articula às transformações testemunhadas ao longo do século 20, incluindo a luta das mulheres e a ditadura militar chilena. Publicado pela Bertrand, o romance tem tradução de Ivone Benedetti e 322 páginas.

Texto produzido pela Redação Olhar Plural com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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