FRANÇA — O governo francês pediu que pais possam responder civilmente pelos danos provocados por seus filhos durante os protestos estudantis que fecharam cerca de 400 escolas e alcançaram universidades. A medida foi anunciada pelo ministro da Justiça, Gérald Darmanin, enquanto as autoridades contabilizam quase 2 mil detenções e 305 policiais feridos.
As escolas permaneciam fechadas nesta sexta-feira, 2, com atividades realizadas a distância. Os bloqueios começaram na semana passada na região de Île-de-France, onde fica Paris, e se espalharam por outras partes do país. A mobilização é conduzida principalmente por estudantes do ensino médio, que reivindicam melhores condições de ensino.
Darmanin afirmou que solicitou aos procuradores uma resposta rápida e a busca pela responsabilização solidária dos pais pelos atos praticados pelos filhos. O ministro também reconheceu que as reivindicações dos jovens precisam ser consideradas.
Feridos e universidades bloqueadas
De acordo com o ministro da Educação, Édouard Geffray, 170 estudantes e 65 profissionais da educação ficaram feridos desde o começo das manifestações. O sindicato Union Étudiante registrou cerca de 30 campi universitários bloqueados na manhã de quinta-feira, 1º.
As queixas dos alunos incluem salas superlotadas, excesso de tarefas, materiais didáticos considerados de baixa qualidade e falta de professores. Uma reunião entre Geffray, sindicatos de professores e funcionários, associações de pais, entidades estudantis e integrantes do Conselho Nacional da Vida Escolar estava marcada para esta sexta-feira, 2, para discutir alternativas para a crise.
Embora alguns atos tenham ocorrido sem incidentes, outras localidades registraram vandalismo, incêndios e confrontos com policiais. Houve relatos de ataques a ônibus e a pontos de transporte público.
Incêndios e confrontos
Em Marselha, dois professores do liceu Victor-Hugo foram atingidos por gasolina quando um estudante tentou colocar combustível em uma lixeira para iniciar um incêndio. No liceu Saint-Exupéry, jovens cercaram um caminhão de bombeiros acionado para controlar o fogo, forçaram a saída da equipe e incendiaram o veículo, segundo a polícia.
Um colégio foi incendiado em Nantes, enquanto o fogo danificou a fachada de uma escola em Le Havre. Em Estrasburgo, um carro foi queimado. Em Toulouse, estudantes entraram em confronto com policiais; em Saint-Denis, na periferia de Paris, manifestantes denunciaram uso excessivo da força, incluindo bombas de gás lacrimogêneo.
Disputa política
O presidente Emmanuel Macron reconheceu a legitimidade das preocupações estudantis, mas rejeitou a violência contra professores e policiais. Durante uma visita a Madri, afirmou: “As escolas existem para permanecer abertas e compartilhar conhecimento”.
Membros do governo atribuíram parte dos episódios violentos a grupos de extrema esquerda, entre eles o partido França Insubmissa (LFI) e seu líder, Jean-Luc Mélenchon. Na segunda-feira, Mélenchon acusou o governo de promover uma repressão com “evidentes conotações racistas”. O primeiro-ministro, Sébastien Lecornu, chamou a declaração de insulto e disse que ela aprofundava as divisões em torno da segurança dos estudantes.


