Uberlândia, Quinta-feira, 1 de outubro de 2026
Ideias, cultura e reportagem
Cinema

Novo Resident Evil troca personagens conhecidos pela sensação de jogar

Dirigido por Zach Cregger, o filme acompanha um entregador médico e aposta na experiência do horror, não na reprodução dos jogos.

Novo Resident Evil troca personagens conhecidos pela sensação de jogar

O novo filme de Resident Evil não adapta diretamente nenhum dos jogos da franquia e também deixa de lado personagens conhecidos como Leon Kennedy, Jill Valentine, Chris Redfield e Claire Redfield. Dirigido por Zach Cregger, o longa acompanha Bryan, um entregador médico interpretado por Austin Abrams, que se vê envolvido em uma noite cada vez mais absurda e aterrorizante.

A escolha pode contrariar espectadores que esperavam uma transposição mais direta dos games. Mas o filme parte de outra ideia de adaptação: em vez de reproduzir uma história específica, tenta reconstruir a experiência de estar dentro de um jogo de Resident Evil.

A experiência antes da mitologia

Cregger reconhece que há diferentes formas de se relacionar com a franquia. Alguns fãs se ligam principalmente aos personagens e à mitologia. Outros se interessam mais pela experiência de jogar — grupo do qual o próprio diretor diz fazer parte.

“Há fãs como eu que adoram a experiência de jogar e acham que nunca houve um filme que representasse como é jogar Resident Evil”, afirmou Cregger.

Essa perspectiva desloca o centro da adaptação. O filme não parece interessado em recriar a trajetória de Leon, Jill ou qualquer outro protagonista conhecido, mas em colocar o público em uma situação de descoberta, ameaça e sobrevivência.

Bryan começa como uma pessoa comum, sem preparo para o que encontra. Ao longo da noite, ele é levado para ambientes desconhecidos, passa por portões trancados, esgotos e instalações aparentemente inabitadas. Também encontra armas e precisa avançar por uma estrutura que remete à lógica dos jogos.

A experiência de jogar Resident Evil envolve explorar lugares desconhecidos, procurar caminhos, administrar recursos, encontrar equipamentos melhores e lidar com uma situação que piora progressivamente. Nenhum desses elementos depende necessariamente da presença de Leon Kennedy ou Jill Valentine.

Fidelidade não é reprodução

A discussão sobre adaptações não se limita aos videogames. Pesquisadores como Robert Stam e Linda Hutcheon questionaram a ideia de que uma nova versão deva ser avaliada apenas pela quantidade de elementos que reproduz da obra original.

Isso não significa que toda mudança funcione. Uma adaptação pode se afastar tanto do material de origem que deixa de preservar aquilo que lhe dava identidade. A questão central passa a ser o que precisa permanecer para que uma história, um personagem ou um universo continue reconhecível.

O cinema já mostrou que a proximidade com os jogos não garante, por si só, um resultado satisfatório. Resident Evil: Bem-Vindo a Raccoon City, de 2021, reuniu Leon, Claire, Chris, Jill e Wesker, além de locais conhecidos e acontecimentos associados aos primeiros títulos da franquia. A presença desses elementos não resolveu o filme.

Da mesma forma, uma história inédita não é automaticamente bem-sucedida apenas por ser original. Fidelidade ao material de origem e qualidade são questões diferentes. O que importa é saber se as alterações têm uma função e se o que foi criado no lugar preserva algo essencial da obra adaptada.

Um protagonista despreparado

Ao acompanhar Bryan, o longa conduz o público por esse universo a partir do olhar de alguém tão despreparado quanto quem se encontra diante de uma situação desconhecida. Austin Abrams interpreta um homem que queria apenas concluir mais uma noite de trabalho e passa a enfrentar problemas cada vez mais estranhos, desesperadores e imprevisíveis.

A direção de Cregger mantém a personalidade associada a seus trabalhos anteriores, Noites Brutais e A Hora do Mal. Em vez de apenas seguir o peso de uma franquia estabelecida, o cineasta leva sua própria visão para esse universo.

O resultado propõe que Resident Evil pode ser reconhecido não somente pelos personagens, locais e acontecimentos familiares, mas também pela sensação de estar preso em um pesadelo, explorando um espaço hostil sem saber o que virá depois da próxima porta.

Para quem aguardava uma representação fiel de Leon, Jill ou de outro personagem dos jogos, a expectativa pode precisar ser revista. O filme escolhe outro caminho: deixar a lista de referências em segundo plano e construir uma experiência de horror baseada na descoberta, na vulnerabilidade e na sobrevivência.

Resident Evil está em cartaz nos cinemas.

Texto produzido pela Redação Olhar Plural com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

Entre na nossa newsletterO melhor da semana, sem spam.